“Rachadinha”: MPRJ ainda prepara denúncia contra Flávio Bolsonaro e Queiroz

Os dois devem ser acusados pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa

atualizado 28/09/2020 21:10

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O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) concluiu a investigação e prepara denúncia contra senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o seu ex-assessor Fabrício Queiroz por envolvimento em um esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do RJ (Alerj). A primeira versão da matéria registrava, equivocadamente, que a denúncia já havia sido ajuizada, mas a peça ainda será formalizada.

Após mais de dois anos de investigação, a peça em preparo pelo MPRJ deve apontar Flávio como líder de uma organização criminosa, e Queiroz, como o operador do esquema de corrupção que funcionava no antigo gabinete na Assembleia Legislativa. De acordo com as informações, eles podem ser acusados pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A denúncia possui cerca de 300 páginas.

De acordo com os promotores, o senador usou, pelo menos, R$ 2,7 milhões em dinheiro vivo do esquema das rachadinhas.

As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (28/9) pelo jornal O Globo.

Prisão de Queiroz

Em julho, o ex-assessor Fabrício Queiroz foi preso em Atibaia (SP), na região do Vale do Paraíba, em um imóvel do hoje ex-advogado da família Bolsonaro Frederick Wassef.

Queiroz e a esposa, Márcia, são investigados pelo Ministério Público do Rio por suposta participação no esquema de rachadinha no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Em julho de 2018, o MPRJ iniciou a investigação, depois que um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz.

Organização criminosa

Os promotores trabalham com a hipótese de seis grupos da organização criminosa. Em relatórios do Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaeco) do MPRJ, são citados 23 ex-assessores. Eles são divididos em três grupos.

Um núcleo é apontado como ligado a Fabrício Queiroz, composto por 13 ex-funcionários, formado por familiares do próprio Queiroz, além de vizinhos e amigos indicados por ele para o gabinete.

Em outro grupo, aparecem Danielle Nóbrega e Raimunda Veras Magalhães, ex-mulher e mãe de Adriano Nóbrega, ex-capitão do Bope e apontado como líder de uma milícia, morto em fevereiro.

O Ministério Público descreve o outro grupo com 10 ex-assessores residentes em Resende, a cidade onde membros da família Bolsonaro viveram, no Sul fluminense. Dentre eles, nove têm parentesco com Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher e mãe do filho mais novo do presidente Jair Bolsonaro.

Outros três núcleos seriam os formados por Alexandre Santini, sócio de Flávio em uma loja de chocolates; por Glenn Dillard e sua empresa Linear Enterprises Consultoria Imobiliária; e um último pelo policial militar Diego Ambrósio e sua empresa de vigilância, Santa Clara Serviços.

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