Política ambiental estremece apoio de evangélicos a Bolsonaro, aponta pesquisa

Levantamento mostra que 67% dos religiosos entendem que a defesa de pautas voltadas à proteção ambiental é decisiva na escolha do voto

atualizado

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Bolsonaro vai a Igreja Sara Nossa Terra
1 de 1 Bolsonaro vai a Igreja Sara Nossa Terra - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Em meio aos desgastes do governo Jair Bolsonaro em relação às pautas do meio ambiente, o núcleo dos evangélicos, forte aliado do presidente desde a campanha, tem balançado. De acordo com uma pesquisa encomendada pela Coalizão Evangélicos pelo Clima e conduzida pela agência Purpose, 67% dos religiosos entendem que a defesa de medidas voltadas à proteção ambiental é decisiva na escolha do voto para cargo no Executivo.

O estudo ainda revelou que cerca de 43% discordam de acabar com as reservas legais de proteção ambiental, e 44% dizem que o desmatamento é a principal preocupação. Para 48% deles, “é um pecado o ser humano destruir o meio ambiente”. Os dados foram levantados com base em 2 mil entrevistas com evangélicos em todo o país.

Questionados sobre o voto nas eleições de 2018, 50% dos evangélicos disseram ter votado em Jair Bolsonaro, 21% em Fernando Haddad (PT), 22% branco/nulo e 7% não souberam responder. Em relação à avaliação do atual governo, a aprovação ainda supera o descontentamento, mas o indicador ajuda a revelar como o apoio do grupo tem diminuído. Para 32%, a gestão é regular; 41% acham boa ou ótima, e 25% dizem ser ruim ou péssima.

Recentemente, Ricardo Salles pediu demissão do cargo de ministro do Meio Ambiente – envolto em inúmeras polêmicas e ainda sob investigação. Entre as apurações de que é alvo, há denúncias relacionadas ao aumento explosivo do desmatamento e à queda brusca em multas ambientais. Além disso, Salles deixou como marca a frase “passar a boiada”, usada durante reunião ministerial, em 2020, para se referir ao desejo de desregulamentar o setor enquanto a atenção da imprensa e da sociedade estava voltada para a pandemia de coronavírus.

Veja aqui a íntegra da pesquisa:

Pesquisa Evangélicos by Metropoles on Scribd

“Mundo que Deus sonhou”

O Metrópoles conversou com o pastor Josias Vieira, ecoteólogo da Igreja Batista, em Coqueiral (Recife), e coorganizador da Coalizão Evangélicos pelo Clima – criada com intuito evidenciar as pautas políticas que dizem respeito ao meio ambiente e traduzi-las para evangélicos e comunidades indígenas.

Segundo o pastor, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, nem todos os evangélicos apoiam o presidente. Josias diz que existe uma grande parcela das instituições alinhada a Bolsonaro, “evidenciada pela bancada evangélica”, que “pensa apenas em dinheiro”, mas que há também os religiosos interessados em “construir um mundo que Deus sonhou”.

“Uma coisa é o povo de Deus e outra coisa é o povo evangélico – que tem de tudo –, e boa parte não conhece Jesus. O povo de Deus espera que saiam ele [Bolsonaro], o vice-presidente e todos que compõem esse governo. Eles não têm o menor compromisso com o povo brasileiro. Já a bancada evangélica está associada à exploração, à ausência de justiça. Está associada aos pressupostos de devastação. Ela não representa o povo de Deus. Ela representa instituições”, disse Josias.

O pastor, que declarou ser totalmente contra a abertura de templos religiosos em meio à pandemia de Covid-19, afirmou que a briga em torno da liberação dos cultos – que inclusive foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e acabou vedada – foi motivada por ganância. “Igreja fechada traz menos dinheiro para esses caras”, falou.

“Política de morte”

O pastor avalia que “qualquer ação na direção de explorar o meio ambiente é um pecado contra a santidade criadora de Deus”. Para ele, Bolsonaro “atenta contra o Reino de Deus”. “De cristão ele não tem nada”, declarou, argumentando que o presidente representa a necropolítica – uma “política de morte”.

“Quando esse homem nega a eficácia da vacina, tira a máscara de uma criança, bloqueia a chegada de vacinas, ele está matando o povo. Em relação ao meio ambiente, ele estruturou, através de Salles, uma degradação do meio ambiente. Desde o começo, ele falou que era contra a demarcação de terras, o ICMBio e o Ibama. Quem votou nele não pode dizer que votou enganado. Estava interessado em outras coisas que não são de interesse coletivo”, falou Josias.

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