Ricardo Salles pede demissão do Ministério do Meio Ambiente

Agora ex-ministro é alvo de inquérito que apura exportação ilegal de madeira. Joaquim Pereira Leite foi nomeado novo ministro da pasta

atualizado 23/06/2021 20:13

Ministro do Meio Ambiente - Ricardo de Aquino SallesRafaela Felicciano/Metrópoles

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pediu demissão, na tarde desta quarta-feira (23/6), ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A exoneração foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

A mesma publicação traz a nomeação de Joaquim Álvaro Pereira Leite como ministro, que ocupava a Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais do ministério. Leite foi conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB) por 23 anos. Consta, no site da SRB, que o grupo apoia a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), conhecida como bancada ruralista.

Em pronunciamento à imprensa, após a exoneração, Salles ressaltou as medidas adotadas durante sua gestão frente ao Ministério do Meio Ambiente e reclamou de críticas.

“Eu vim anunciar que apresentei ao senhor presidente da República, e ele já aceitou, foi comunicado o meu pedido de exoneração do cargo de ministro de Estado do Meio Ambiente. Cargo esse que muito me honrou o convite e que eu desempenhei da melhor forma possível ao longo de dois anos e meio”, disse.

“Experimentei ao longo destes dois anos e meio muitas contestações, tentativas de dar a essas medidas caráter de desrespeito à legislação, o que não é verdade”, prosseguiu.

Alvo de inquérito

Ricardo Salles é alvo de inquérito relacionado à Operação Akuanduba, deflagrada pela Polícia Federal, que apura exportação ilegal de madeira do Brasil para os Estados Unidos e a Europa.

A operação investiga crimes contra a administração pública, como corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e, especialmente, facilitação de contrabando, praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro.

O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Fortunato Bim, também é investigado e chegou a ser afastado do cargo.

O relatório da PF afirmou que os investigados atenderam pedidos de empresas exportadoras de madeira e expediram regulamentações para liberar cargas que haviam sido embargadas ou apreendidas por países da Europa e pelos EUA.

Bolsonaro elogiou Salles um dia antes

Nessa terça-feira (22/6), durante cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) elogiou Ricardo Salles.

O chefe do Executivo disse que “não é fácil” ocupar a pasta chefiada por Salles e lamentou a forma como ele, o presidente, e o ministro são tratados por “alguns poucos desse outro poder”, em referência ao Poder Judiciário.

“Você faz parte dessa história, Ricardo Salles. O casamento da Agricultura com o Meio Ambiente foi um casamento quase que perfeito. Parabéns, Ricardo Salles. Não é fácil ocupar o seu ministério. Por vezes, a herança fica [sendo] apenas uma penca de processos. A gente lamenta como, por vezes, somos tratados por alguns poucos desse outro poder, que é muito importante para todos nós”, disse o presidente durante lançamento do Plano Safra 2021/22.

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