“Peraí! Não precisa pisar no nosso pé”, diz Guedes ao Congresso

Ministro avaliou que a insatisfação dos parlamentares seria resultado de, na sua visão, o governo não ter sido “loteado” entre parlamentares

atualizado

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Solenidade do 13º do Bolsa Família e Recursos para obras Irmã
1 de 1 Solenidade do 13º do Bolsa Família e Recursos para obras Irmã - Foto: Igo Estrela/Metrópoles

Um dia depois de o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, dizer que o Executivo não pode aceitar “chantagem” do Parlamento e propor que o governo desse um “foda-se” aos congressistas, o ministro da Economia, Paulo Guedes, pontuou que é “normal” os parlamentares buscarem mais autonomia sobre o orçamento – pivô da crise. E emendou: “Não precisa pisar no nosso pé”.

“É normal que o Congresso queira entrar no Orçamento. Mas, peraí, não precisa pisar no nosso pé! Tem um Orçamento de R$ 1,5 trilhão, para que vamos brigar por causa de 10, 15 ou 20 bilhões? Tem R$ 1,5 trilhão. Basta descarimbar. Vamos fazer o pacto federativo. Aprovemos as reformas”, frisou Guedes em cerimônia realizada no Palácio do Planalto.

A declaração de Heleno gerou repercussão entre os representantes do Legislativo. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por exemplo, disse que Heleno havia se tornado um “radical ideológico contra a democracia”.

“É uma pena que o ministro com tantos títulos tenha se transformado num radical ideológico contra a democracia, contra o Parlamento. Muito triste”, enfatizou o democrata.

Segundo o político fluminense, o ministro agiu como um “estudante no auge da juventude” ao dizer que o governo teria de reagir contra o que definiu de “chantagem” do Congresso sobre o orçamento federal ao ameaçar derrubar vetos sobre o chamado orçamento impositivo.

“Acordos republicanos”
Guedes avaliou que a insatisfação dos parlamentares seria resultado de, na sua visão, o governo não ter sido “loteado” entre deputados e senadores. Dessa forma, há um vácuo e um questionamento por parte dos políticos sobre como “entrar” no governo.

“É natural também que a classe política diga o seguinte: ‘Bom, mas como não houve loteamento de ministérios, como foram escolhas técnicas, como é que eu entro nisso aí?’. Uma aliança política de conservadores e liberais e os senhores estão convidados a fazerem acordos republicanos em torno da distribuição orçamentária”, salientou.

Empregadas domésticas
No mesmo evento, Paulo Guedes voltou atrás da declaração que tinha feito de que o dólar nas alturas como está hoje em dia – nesta quinta-feira (20/02/2020), a moeda norte-americana bateu os R$ 4,40 – tem um lado positivo, pois acaba com a “festa danada” que era de “empregadas domésticas indo à Disney”. O ministro garantiu que a mãe do pai dele era empregada doméstica.

“Peço desculpa se tiver ofendido. A mãe do meu pai era empregada doméstica. O Brasil é cheio de riquezas naturais. Eu falei aquilo porque estava 50% mais caro ir para o Nordeste do que ir para o exterior. Quem tira de contexto do que nós falamos está semeando discórdias”, afirmou Guedes.

O ministro discursou no Palácio do Planalto durante evento de lançamento de linha de crédito imobiliário da Caixa Econômica, com taxas de juro fixas.

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