Em 2020, Bolsonaro cumprirá orçamento impositivo. Entenda o que é
O gasto é engessado. O governo federal só poderá cortar se reduzir despesas na mesma proporção nas suas contas. Congresso ganha mais poder

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) terá que cumprir neste ano, pela primeira vez, o orçamento impositivo, que obriga pagamento de recursos destinados pelos parlamentares e pelas bancadas para investimentos, obras e projetos nos estados.
O gasto é engessado. O governo federal só poderá cortar se reduzir despesas na mesma proporção nas suas contas. Isso significa que o Congresso passará ter mais poder para determinar no que o dinheiro público será gasto. Há deputados que poderão indicar o destino de R$ 40 milhões por ano.

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Ver todasEspecialistas afirmam que ainda não é possível dizer se o modelo que altera o regime de execução orçamentária, que vinha sendo o mesmo desde 1989, vai melhorar a qualidade do gasto público.
Hoje, os planos orçamentários podem ser executados integralmente ou não pelo Executivo, em modelo conhecido como orçamento autorizativo.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAs novas regras mudam também a obrigatoriedade das despesas com as emendas parlamentares de bancada. Normalmente, esses recursos são usados como barganha entre o Congresso e o Palácio do Planalto.
Para aprovar algum projeto de lei, o governo costuma ceder verba (em forma de emenda) para os congressistas usarem em áreas como saúde, educação, saneamento e infraestrutura em seus redutos eleitorais.
Pelo orçamento impositivo, no máximo 1% da Receita Corrente Líquida (RCL) será liberada para atender a emendas parlamentares coletivas. Atualmente, as emendas individuais já são impositivas no orçamento e utilizam 0,6% da RCL.
A equipe econômica do presidente Bolsonaro está atenta aos números. Atualmente, 93% do orçamento vai para gastos obrigatórios (aposentadorias, salários, verba para educação e saúde etc), o que representa, portanto, margem de apenas 7% para gastos “livres” em áreas escolhidas pelo Executivo da vez.
O orçamento impositivo engessa em 97% as receitas. Apenas 3% ficarão à disposição para o governo federal usar em novas políticas públicas e projetos do Planalto, por exemplo.
O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), acredita que a adoção do orçamento impositivo vai facilitar a vida do governo. Segundo ele, o Executivo vai ter uma relação de mais independência em relação ao Legislativo e o Parlamento vai ter mais responsabilidade quando se tratar de despesas públicas.
“No orçamento 2020, já tem a previsão da aprovação das PECs dos Gatilhos, isso foi base importante da sustentação do aumento das despesas de investimento discricionárias que o relator está colocando no orçamento. “No futuro, vai se abrir um espaço fiscal maior, porque com o teto de gastos é preciso reduzir o piso, precisa abrir espaço para poder aumentar a despesa discricionária.”



