Para Doria, Alckmin deveria se licenciar do PSDB até fim de processos

O governador de São Paulo deu as declarações em entrevista ao programa Ponto a Ponto, da Band, na noite de quarta-feira

atualizado 13/06/2019 14:47

NELSON ANTOINE/ESTADÃO CONTEÚDO

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), avaliou que o ex-governador do estado e seu padrinho político Geraldo Alckmin deveria se licenciar do PSDB até a conclusão dos processos que responde na Justiça. O tucano é réu em processo envolvendo delações da empreiteira Odebrecht.

“Todos aqueles que estão sob investigação, confiando na sua inocência, deveriam pedir licença, incluindo o governador Geraldo Alckmin”, disse Doria, em entrevista ao programa Ponto a Ponto, exibido na noite de quarta-feira na Bandnews.

Em abril, Alckmin teve bens bloqueados em uma ação por improbidade administrativa sobre suposto caixa 2 na campanha de 2014. Além dele, são réus o ex-tesoureiro de campanha Marcos Monteiro, a Odebrecht, e quatro de seus ex-executivos foram alvo da medida. Ao oferecer a denúncia, o Ministério Público apontou nove supostas entregas de dinheiro em hotéis de São Paulo para a campanha do tucano.

“Todos têm confiança na sua isenção e inocência. O governador Geraldo Alckmin é um homem de bem, correto. Conheço a sua história, ele é um homem modesto nos seus bens, postura e no pouco que pode acumular como assalariado público ao longo de 42 anos. Acredito na sua inocência”, contemporizou Doria, na sequência.

Partido
Geraldo Alckmin, além de padrinho de Doria, era presidente do PSDB. Foi pelas suas mãos que o atual governador do maior estado do Brasil chegou ao partido. Com a ascensão de Doria, Alckmin perdeu espaço entre os tucanos. O ex-ministro de Michel Temer e aliado de Doria Bruno Araújo assumiu o comando da sigla.

Desde então, Doria é quem dita o rumo do PSDB. Entre as suas propostas, está a de que membros do partido que sejam réus na Justiça se afastem até que possam provar a sua inocência ou que sejam expulsos em caso de condenação. Outro tucano que entrou na mira de Doria é Aécio Neves, réu em uma série de processos.

Pit stop
O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin anunciou, no início do mês, que vai dar um tempo na política e criticou o início da gestão do governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Para Alckmin, o líder do Executivo “está fazendo o Brasil perder tempo” e “precisa saber que o Muro de Berlim caiu há mais de 30 anos”. As pastas da Economia, da Educação e da Segurança Pública também foram alvo de críticas.

“Quero repetir que não tenho nada de pessoal contra ele, mas há um oportunismo de querer se aproveitar enfraquecendo as instituições. Temos é que melhorá-las. Não é estigmatizando que vai avançar. Veja, por exemplo, a educação. Enquanto se discute ideologização, ninguém fala do Fundeb, que vai acabar no fim do ano. Como se financia a educação básica? Isso é que é o importante”, diz Geraldo Alckmin.

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