Os obstáculos de Haddad na corrida pelos votos de Lula
Candidato petista ainda terá de enfrentar tempo curto de campanha e explicar denúncia do MP de São Paulo
atualizado
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Tempo curto de campanha, sentimento antipetismo e ações do Ministério Público referentes à gestão na Prefeitura de São Paulo. O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, entra oficialmente na corrida eleitoral tendo que crescer rápido, com esses e outros obstáculos.
Ao mesmo tempo, o petista herda as benesses de ser o escolhido pelo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder em todas as pesquisas de intenções de voto em que aparece. Na prática, Haddad terá três semanas para conseguir converter os votos de Lula em seus.
A campanha curta é um obstáculo, mas também, um ponto positivo: o presidenciável será, por menos tempo, alvo dos adversários. O desafio a ser cumprido é o de uma divulgação massiva de seu nome, com potencial de crescimento, como o ungido pelo ex-presidente.
Na pesquisa Datafolha realizada antes da oficialização da candidatura e divulgada na última segunda-feira (10/9), ele aparece com 9% das preferências. Na consulta, 39% dos entrevistados lembraram do nome do ex-prefeito como o candidato de Lula e 33% se disseram dispostos a votar na indicação do ex-presidente e 16% cogitam esta possibilidade.
Antipetismo
A rejeição ao seu nome ficou em 22%, bem abaixo da resistência ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, medida em 43%. O obstáculo, porém, refere-se mais ao PT. A mesma pesquisa apontou que 49% dos entrevistados não votariam no candidato indicado por Lula de jeito nenhum. Este é um entrave significativo que pode pesar, ainda mais em uma possível disputa no segundo turno com o candidato do PSL.
A estratégia para vencer este pouco tempo é focar a campanha no Nordeste, região onde Lula lidera isolado, tem maior capacidade de transferir seu prestígio e onde os adversários, exceto o cearense Ciro Gomes (PDT), encontram dificuldades de entrar. O PT conta ainda com a militância comprometida com a divulgação de Haddad como no “homem do Lula”.
A campanha também se dividirá em agendas no ABC paulista, reduto de Lula, em Minas, onde o PT tem conseguido bom desempenho com a candidatura da ex-presidente Dilma Rousseff ao Senado e no Rio Grande do Sul, onde a candidata Manuela D’Ávila foi campeã de votos nos cargos em que conquistou.
Narrativa
O PT investe na narrativa da “injustiça” contra Lula, que o mantém preso desde o dia 7 de abril na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba. O partido manterá este mote e precisa fazê-lo resistir até o final da campanha, por meio da presença, mesmo que por cartas constantes do ex-presidente.
No entanto, pesam contra o candidato Haddad as avaliações negativas dos últimos anos de Dilma – outra escolha de Lula –, no Planalto, a aliança com o PMDB do presidente Michel Temer, além de seu próprio desempenho eleitoral em São Paulo na última disputa municipal. Ele não foi reeleito e experimentou 48% de rejeição ao final de sua administração.
Processos
As ações do Ministério Público de São Paulo também representam campo minado para ex-prefeito. Uma delas baseia-se na delação do dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, alvo da Operação Lava Jato. O empreiteiro disse ter sido procurado pelo ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto, que solicitou o pagamento de uma dívida de R$ 3 milhões da campanha que levou Haddad à prefeitura. Esta dívida, teria sido negociada pelo doleiro Alberto Youssef para R$ 2,6 milhões.
Neste processo, ele foi denunciado no último dia 4 de setembro pelo Grupo de Repressão a Delitos Econômicos do MP-SP que acusa o ex-prefeito pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. No final de agosto, o ex-prefeito também virou réu em ação de improbidade administrativa na qual o MP-SP pede a condenação do petista pelo suposto prejuízo de R$ 5,2 milhões devido a construção de uma ciclovia. Esta ação foi proposta pelos procuradores em 2016, último ano de Haddad à frente da Prefeitura de São Paulo.
Outra ação movida pelo MP-SP acusa Haddad de improbidade administrativa em relação ao Theatro Municipal de São Paulo. De acordo com a denúncia, ele teria de devolver R$ 129,7 milhões aos cofres públicos por ter permitido que uma organização social fosse constituída para gerenciar o espaço sem o devido amparo lega.
Defesa
Nas defesa apresentada à Justiça, Haddad nega as acusações. Ele alega uma ação articulada no MP-SP direcionada a minar sua candidatura. Em relação à denúncia envolvendo a UTC, o candidato Haddad explicou: “Tem mais de três anos esta história e eu já demonstrei que os interesses da empresa em São Paulo foram contrariados”, disse.
“O sócio dele (Ricardo Pessoa), que era a Odebrecht, confessou que a obra, contratada pela gestão anterior, foi paralisada no dia 14 de fevereiro de 2013. Então é uma coisa que não se entende. Como é que um prefeito que tem algum interesse, pode, no segundo mês de seu mandato, paralisar a obra de uma empresa, cujo sócio confessou que era uma obra superfaturada”, argumentou Haddad, quando foi questionado pelo assunto.