Oposição quer estender pagamento de auxílio emergencial até o final de 2020

Bolsonaro ofereceu duas parcelas de R$ 600. Para líderes, o beneficio deve ter duração por todo período de calamidade devido à pandemia

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

atualizado 30/06/2020 17:39

Partidos de oposição na Câmara dos Deputados já se preparam para tentar prorrogar até o final deste ano o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600,00 para as pessoas mais vulneráveis diante da pandemia do coronavírus.

Nesta terça-feira (30/06), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou a prorrogação do benefício por mais dois meses, mas a oposição na Câmara quer que a ajuda valha pelo menos até durar o estado de calamidade que foi decretado pelo governo federal até o final de 2020.

O anúncio do governo nesta terça já representa um recuo de Bolsonaro, que tinha como ideia inicial pagar mais três parcelas com o valor reduzido, totalizando R$ 1.200.

A proposta de três parcelas, de R$ 500, R$ 400 e R$ 300, não chegou a ser apresentada oficialmente, mas foi até compartilhada pelo ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Ramos, e ainda comentada pelo próprio presidente em uma de suas transmissões semanais, ao vivo.

Diante de reações e da promessa feitas até pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de elevar o valor das parcelas para R$ 600, Bolsonaro anunciou mais duas partes de R$ 600.

“Estender até o final do ano é uma proposta que já foi conversada na bancada do PSB e todos concordam”, disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

O líder da Minoria na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE, foto em destaque) vai na mesma linha e já apresentou um projeto de lei para isso. “O meu projeto, que é o PL-2357, prorroga o auxílio emergencial até 31 de dezembro ou enquanto perdurar o estado de calamidade”, citou.

“O país não vai suportar a prorrogação em apenas dois meses. É uma medida tímida que não atende à dimensão da crise que o país está vivendo. O que o Bolsonaro está fazendo é uma migalha. Se ele diz que tem algum compromisso com os pobres do Brasil, deveria prorrogar até dia 31 de dezembro de 2020”, observou.

Teste

O tema deveria representar um teste para Bolsonaro que se ocupou nos últimos meses de tentar formar uma base, cedendo cargos no governo para o chamado Centrão. Bolsonaro poderá avaliar se sua recente postura de diálogo com esses partidos realmente funcionará para aprovar as parcelas, tal como pensadas pela equipe econômica.

A base poderá funcionar totalmente, aprovando a ideia da equipe econômica, parcialmente,  com a extensão de algumas parcelas mas sem, no entanto, chegar até o Natal, ou mesmo não funcionará, com a aprovação da proposta da oposição de levar o benefício até 31 de dezembro.

“Evidentemente é uma questão muito sensível. É um tema que diz respeito a milhões de brasileiros. Na hora que engatar a votação, eu não tenho a menor dúvida que vai ter muitos votos para levar até o final do ano. Como vai funcionar o Centrão, eu ainda não sei, mas o ambiente na Câmara hoje é para que a gente aprove até 31 de dezembro,”avaliou Guimarães. \

Coerência

Também o líder do PSB, deputado Alessandro Molon (RJ), aponta que a necessidade de coerência entre a ajuda às pessoas mais vulneráveis e o decreto de calamidade. Para ele, o presidente está somente apresentando soluções temporárias em vez de buscar um plano eficaz para controlar a crise.

“Bolsonaro continua soluçando, apresentando soluções temporárias, em vez de buscar enfrentar a crise com seriedade. Dois meses são insuficientes. Se o estado de calamidade dura até dezembro, o auxílio emergencial deve acompanhar esse prazo, como defendemos em projeto de lei apresentado na Câmara”, disse Molon.

Molon e mais 45 deputados de partidos de oposição ainda endossaram um projeto de lei, de autoria do deputado João Campos (PSB-PE) que prevê a prorrogação. A proposta aponta em seu texto a necessidade de que o “Estado brasileiro necessariamente deve caminhar rumo a um novo patamar de proteção social. A agenda social precisa ser revista, para abranger as milhões de famílias vulneráveis à pobreza que a pandemia evidenciou”, destaca o texto.

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