Novo ministro da Educação: para aprender, criança “deve sentir dor”. Vídeo

Em uma pregação, ele incentiva castigos físicos para se corrigir os menores e diz que "cura não é obtida por meios justos e métodos suaves"

atualizado 10/07/2020 21:17

Milton Ribeiro, ministro da EducaçãoReprodução

Parte do método defendido pelo novo ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro, para se educar crianças inclui a defesa de que elas “sintam dor”. Em um vídeo de uma de suas pregações, ele incentiva que os pais apliquem castigos físicos como forma de obter a “correção necessária para a cura”. “Talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim, mas (a criança) deve sentir dor”, diz o pastor.

Ele ainda tenta antecipar possíveis críticas de que seu método seja considerado antipedagógico: “Eu amo as crianças da minha igreja”.

Ribeiro argumenta que a correção necessária para as crianças “não ocorrerá por meios justos e métodos suaves”. Esse tipo de método, em sua argumentação, só seria entendido por crianças mais desenvolvidas, ou mesmo superdotadas.

“A correção necessária para a cura não vai ser obtida por meios justos e métodos suaves. Talvez uma porcentagem muito pequena de crianças precoces, superdotadas é que vai entender o seu argumento. Deve haver rigor, desculpe, severidade”, apontou.

As declarações do ministro atentam contra a lei vigente no país. Chamada de “Lei da Palmada” (nº 13.010), a regra foi promulgada em 2014, alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente (lei 8.069/90) e o Código Civil Brasileiro (lei 10.406/02) “para estabelecer o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante”.

Pastor da Igreja Presbiteriana, Ribeiro agradou a bancada evangélica no Congresso e tem conceitos bem conservadores, inclusive no que diz respeito à instituição família. Para ele, o homem é o responsável por “impor a direção que a família vai tomar”.

Natural de Santos, no litoral de São Paulo, Ribeiro tem 62 anos e, além de pastor, é integrante da Comissão de Ética Pública da Presidência da República desde maio de 2019. Ele também é membro do Conselho Deliberativo do Instituto Presbiteriano Mackenzie, mantenedora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, da qual foi vice-reitor.

 

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