Na CPI, senador Otto Alencar chama Ernesto Araújo de “néscio e obtuso”

Parlamentar questionou depoente sobre a conduta do ex-chanceler nas negociações por compras de vacinas contra a Covid-19

atualizado 09/06/2021 15:38

O senador Otto Alencar (PSD-BA) chamou o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo de “néscio e obtuso” enquanto fazia questionamentos ao ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Élcio Franco. O ex-número dois de Eduardo Pazuello na pasta presta depoimento à CPI da Covid nesta quarta-feira (9/6).

Alencar perguntou ao ex-secretário se Araújo teria participado de negociações por aquisições de vacinas. “O ex-ministro e chanceler néscio e obtuso, Ernesto Araújo, participou de alguma negociação para compra de vacinas?”, indagou o senador.

Segundo Élcio, o ex-chanceler assinou o termo de adesão do Brasil ao consórcio Covax Facility. Ele disse, ainda, que o contrato assinado por Araújo deixava a compra ou não das doses em aberto. Coube a Eduardo Pazuello firmar a aquisição de montante de imunizantes equivalentes a 10% da população brasileira.

Otto, então, criticou a postura do governo federal nas tratativas. “Quero apenas lamentar esse momento que nós estamos vivendo e não tenho dúvida nenhum que meu país sofre pela negligência de tantas pessoas que foram para o governo sem nenhum compromisso com o país”, afirmou.

Otto também dirigiu críticas ao Conselho Federal de Medicina (CFM). “Quando é que o presidente do CFM vai mandar um vídeo condenando a ação do senhor Victor Sorrentino, que fez assédio sexual a uma trabalhadora no Egito? Porque o vídeo me criticando ele fez em 8 horas, em 12 horas já estava no grupo dos 81 senadores. Estava lá eu apanhando do presidente do CFM”, disse.

O médico foi detido no dia 30 de maio, em Cairo, depois de publicar um vídeo no qual assedia, em português, uma mulher muçulmana. Na gravação, feita em 24 de maio, ele faz comentários sexistas à vendedora de papiro.

Ainda durante a fala, o senador arrancou risadas dos colegas ao confundir o relógio da sala da CPI da Covid com o cronômetro que regula o tempo de fala no colegiado. “Falei mais de 20 minutos? Peço desculpas, estava me baseando por ali”, diz apontando para o relógio, que marcava 15h06.

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Élcio Franco foi o braço direito do ex-ministro Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde entre junho de 2020 e março de 2021.

A CPI da Covid tem o objetivo de investigar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia e, em especial, no agravamento da crise sanitária no Amazonas com o desabastecimento de oxigênio hospitalar, além de apurar possíveis irregularidades em repasses federais a estados e municípios.

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