Na CPI do BNDES, Mantega nega ter recebido propina de Joesley

Em depoimento à PF, o dono da JBS disse que pagava, via intermediário, 4% dos valores dos financiamentos do banco de fomento ao ex-ministro

atualizado 22/05/2019 17:39

MARCOS OLIVEIRA/AGÊNCIA SENADO

Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que foi instalada na Câmara, o ex-ministro da Fazenda dos governos petistas Guido Mantega foi confrontado com um vídeo gravado durante o depoimento do empresário Joesley Batista à Polícia Federal.

Na gravação, o empresário afirma que pagava ao então ministro, por meio de um de seus funcionários, denominado Victor, 4% de propina para conseguir liberar financiamentos do BNDES para seus empreendimentos na empresa alimentícia JBS.

Após assistir ao vídeo, o presidente da CPI, deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), questionou o ex-ministro sobre as acusações.

Mantega respondeu que o empresário mentiu para a polícia. “Isso que ele está dizendo é mentira. Isso não aconteceu”, disse o ministro. Ao responder, o ex-titular da Fazenda procurou apontar as contradições existentes no depoimento do empresário.

“Ele fala nesse Victor, que o Victor deveria receber propina e pagar propina para mim. Notem que ele admite que nunca falou comigo sobre isso. Ele deduzia que, através do Victor, que fazia não sei que trabalho, trabalhava para ele, recebia remuneração. Ele dizia que o que dava para o Victor tinha que ser partilhado com o ministro. Quais são os dados que temos concretos? Ele não me passou nenhum tostão e ele remunerou esse Victor em quantias que vão até US$ 70 milhões”, exemplificou.

Mantega ainda defendeu que as operações de créditos realizadas pelo BNDES beneficiaram a JBS. “O BNDES nunca perdeu um tostão com esta empresa. De fato ela tinha um plano bom, que era controlar o mercado de proteínas”, contou.

O ex-ministro desqualificou as afirmações do também ex-ministro Antonio Palocci, que teria corroborado as informações prestadas por Joesley à Polícia Federal. “Não sei se ele corrobora. O que sei é que a delação dele foi rejeitada pela 13ª Vara de Justiça Federal. Ele queria fazer delação. Eu não sei que peso deve se dar a isso”, reagiu.

Política anticíclica
Em sua explanação inicial, Mantega falou da condução da economia quando estava no poder, da “política anticíclica” adotada pelo governo para evitar efeitos da crise e que concedeu isenção de impostos para setores da economia. O ministro destacou o avanço que foi a criação do Mercosul para incremento do comércio no continente.

“A criação do Mercosul foi importante. Foi criado na época de Fernando Henrique Cardoso. Foi um regime de redução tarifária entre os parceiros e isso desenvolveu muito o comércio da América Latina. O Brasil comandava o Mercosul. Era o país que tinha o maior PIB, que tinha a maior capacidade de exportação de manufaturados. O Brasil tinha superávit comercial com todos os países”, observou.

“Adotamos o programa anticíclico, para se contrapor à crise. Era um ciclo de decadência da economia. Foram tomadas várias medidas como redução de IPI, fizemos o Refis em 2008. Quando há uma crise, as primeira coisa que as empresas fazem é parar de pagar tributos”, ressaltou.

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