Na CPI, Cascavel diz que foi procurado por “picaretas da vacina”

Em depoimento na CPI da Covid, Airton Cascavel relata que vários intermediadores e vendedores tentaram agendar encontros com ele na pasta

atualizado 05/08/2021 16:57

O empresário Airton Cascavel afirmou, nesta quinta-feira (5/8), que foi procurado por “picaretas” no Ministério da Saúde tentando vender vacinas contra Covid-19, quando nem se falava na possibilidade de imunização contra o novo coronavírus.

O ex-assessor especial do general Eduardo Pazuello disse ter se recusado a receber os intermediadores e vendedores de vacinas no ministério. “Quero dizer que quando se fala de picaretas da vacina, eu criei giriza de ouvir isso”, disse.

“Estava no ministério e quantos picaretas apareciam. Eu resolvi a mim não receber nenhum. Enquanto você a fábrica AstraZeneca não tinha 1 milhão de doses para entregar ao Brasil, picaretas apareciam querendo vender 100 milhões para todo lado de todo jeito”, prosseguiu.

Veja como foi o depoimento:


O tema foi trazido ao depoimento pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM).

“O que eu tenho visto aqui, no lugar que vossa excelência hoje está sentado, são picaretas que estavam tentando aplicar um golpe no Brasil. Um golpe do mais vil, do mais desumano, querer ter um oportunismo materialista diante de uma situação humanitária”, defendeu Braga, referindo-se às investigações em torno do caso Covaxin e envolvendo a Davati Medical Supply.

Questionamento

O líder da bancada questionou Cascavel sobre, segundo ele, o fato da pasta ter “priorizado um bando de picaretas” ao invés de negociar a compra de vacinas com farmacêuticas internacionais e institutos nacionais de renome na produção de vacinas.

“Por que que, em vez de dar importância a isso, ficamos perdendo tempo em discussão de vacinas que não existiam, em discussão com pessoas que não tinham nenhuma representação legal, verdadeira, quando nós tínhamos a Fiocruz, pra conversar com a AstraZeneca? Nós podíamos conversar diretamente com a AstraZeneca, nós podíamos ter comprado em agosto a Pfizer, pra começar a vacinar em janeiro… Por que não fizemos? Por que que demoramos tanto para resolver, de forma correta, a questão da vacinação?”, questionou o senador.

A fala do amazonense foi endossada pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), então presidente da sessão na ausência de Omar Aziz (PSD-AM) e do vice Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

“A gente tem acompanhado aqui, de fato, nesta CPI, que muitos picaretas ofereceram, por exemplo, até 400 milhões de doses, mas é bom lembrar que alguns desses contratos chegaram, inclusive, a ser efetivados. Nós tivemos aí, no caso da Covaxin, o empenho, inclusive por parte do governo, de R$1,6 bilhão, contrato feito em cima de uma vacina que não tinha autorização nem de agência brasileira e nem de agência do seu país de origem, que, no caso, era a Índia – inclusive, com pedido de antecipação de 45 milhões de doses”, enfatizou a senador.

Requerimentos

Os senadores ainda aprovaram quatro requerimentos apresentados extrapauta a pedido do senador Humberto Costa (PT-PE). Tratam-se de pedidos de quebra de sigilo telemático do perfil Dallas Cowboy, no Twitter, além da transferência de dados telefônicos de Rodolfo Fortes Neto.

Os outros dois requerimentos aprovados tratam da convocação de Marcos Tolentino da Silva, presidente da Rede Brasil de Televisão, e a transferência de sigilos telefônico, bancário, fiscal e telemático de FIB Bank.

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Cascavel participou de agendas públicas e reuniões administrativas com o ex-ministro, exercendo influência sobre decisões da pasta. Após a informalidade vir à tona, o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello o nomeou como assessor especial, cargo ocupado de junho de 2020 a março de 2021.

O empresário era apontado por gestores estaduais e municipais como o “ministro de fato” da pasta, por ser quem resolvia muitas das questões burocráticas e logísticas do ministério.

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