Mourão sobre Ernesto Araújo: “Nunca vi pedir impeachment de ministro”

O titular da pasta das Relações Exteriores protagonizou, no domingo (28/3), troca de acusações com a senadora Kátia Abreu

atualizado 29/03/2021 11:03

Hamilton Mourao na Cerimônia de entrega do Espadin AMAN Foto Bruno Batista VPR

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), afirmou na manhã desta segunda-feira (29/3) que desconhece “impeachment de ministro”. O general se referiu à pressão que o chefe das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, vem enfrentando no cenário político.

“Nunca vi pedir impeachment de ministro. Isso aí tudo é briga política. Os ministros são escolhidos pelo presidente. O presidente toma a decisão de acordo com a visão e de acordo com o que os assessores dele passam. Então, não sei o que vai acontecer”, disse Mourão aos jornalistas.

Além de um pedido de impeachment de autoria do Senado, que será apresentado nesta segunda-feira (29/3), o chanceler é alvo de outros dois grupos: um pedido de impeachment assinado pela bancada do PSol e uma carta aberta assinada por mais de 300 diplomatas solicitando a saída de Araújo.

Questionado sobre as expectativas do prazo para a substituição de Araújo, o general pontuou que não havia conversado com o mandatário do país a respeito do assunto, e que o espaço de manobra do vice-presidente em situações como essa é limitado. “Presidente Bolsonaro tá raciocinando sobre isso desde a semana passada. Vamos ver qual a decisão ele vai tomar”, assinalou.

Imbróglio com senadora

Em meio à fritura política, o ministro Ernesto Araújo tirou a tarde de domingo para desabafos no Twitter.

O chanceler partiu para o ataque, afirmando que, em encontro recente com a senadora Kátia Abreu (PP-TO), a parlamentar teria preferido falar sobre as negociações em torno do 5G, deixando de lado temas mais importantes, como as dificuldades diplomáticas enfrentadas com a China e a Índia para a importação dos insumos necessários à produção das vacinas contra Covid-19 no Brasil.

Segundo o diplomata, a parlamentar teria dado a entender que ele seria o “rei do Senado” ao fazer “um gesto em relação ao 5G”.

A senadora, por sua vez, afirmou em nota à imprensa que as declarações do ministro “faltam com a verdade” e que “o Brasil não pode mais continuar tendo, perante o mundo, a face de um marginal”. “É uma violência resumir três horas de um encontro institucional a um tuíte que falta com a verdade. Em um encontro institucional, todo o conteúdo é público”, disse Kátia Abreu.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), também se envolveu e tomou as dores da parlamentar. O democrata afirmou que “a tentativa” de Ernesto Araújo de “desqualificar” a senadora “atinge todo o Senado Federal”.

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