MEC quer antecipar meta de 89 novas escolas cívico-militares para 2022

Governo previa consolidar o total de 216 colégios militares até 2023. Presidente discursou na cerimônia e voltou a falar sobre o Enem

atualizado 24/11/2021 20:27

Ministro Educação Milton Ribeiro

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, anunciou nesta quarta-feira (24/11) que o governo vai antecipar a meta, anteriormente prevista para 2023, de ter um total de 216 escolas cívico-militares em todo o país.

Segundo o titular da pasta federal, a gestão federal pretendia inaugurar as instituições até o fim de 2022, ano eleitoral. Atualmente, o Brasil tem 127 colégios com o modelo cívico-militar. Ou seja, o governo pretende implantar, no ano que vem, 89 novas escolas desse tipo.

“Nosso objetivo não é só formar um bom estudante, mas também formar o cidadão que conduzirá o destino dessa grande nação”, disse o ministro durante cerimônia realizada no Palácio do Planalto, na qual foram certificadas 43 escolas públicas do ensino básico que aderiram ao modelo.

O Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Ecim) foi lançado em setembro de 2019 e é uma parceria entre o Ministério da Educação e o Ministério da Defesa. Segundo o governo, a proposta da iniciativa é “melhorar o processo de ensino-aprendizagem nas escolas públicas”.

Discurso de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participou da cerimônia. Em seu pronunciamento, o chefe do Executivo disse que, a depender da forma como a economia do país irá se comportar, a ideia do governo é que tenham escolas cívico-militares em todos os estados que não tiverem colégios militares.

Bolsonaro também disse que há um “desvirtuamento, não por parte dos professores, mas por parte de uma militância” presente nas salas de aula. Ele também afirmou que é “difícil” mexer na legislação educacional brasileira.

O mandatário ainda voltou a comentar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e rebateu acusações de suposta interferência da gestão federal na prova.

“Se eu pudesse interferir, pode ter certeza, a prova estaria marcada para sempre, com questões objetivas, de fato, e não com questões ideológicas, como ainda vimos nessa prova”, declarou Bolsonaro.

O chefe do Executivo ainda pontuou que, se pudesse, colocaria no exame uma questão sobre a ditadura militar.

“Saiu na imprensa que eu queria botar questão da ditadura militar. Não vou discutir se foi ou não foi ditadura militar. Mas eu queria botar, sim, uma questão lá, se pudesse: ‘Quem foi o primeiro general que assumiu em 1964?’. Foi Castello Branco. ‘Em que data?’, eu queria botar lá”, disse.

“Duvido que a imprensa acertaria, se fosse fazer a prova. Foi em 31 de março, 1º de abril, 2 de abril ou 15 de abril? Eu acho que o pessoal da imprensa… Eu acho, não. A maioria ia errar porque vão falar 31 de março”, prosseguiu.

“Lixo acumulado”

Antes de finalizar sua fala, o presidente ainda disse que o que os pais querem para os seus filhos são valores conservadores, e não um “lixo acumulado”.

“Eu não escolhi o Milton por ele ser religioso. Mas ele é pastor. Quem diria um pastor no MEC? O que nós queremos para os nossos filhos? Que o menino seja menino, que a menina seja menina. E não aquele lixo acumulado de 2003 para cá, quando se falava de quase tudo na escola, menos de física, química, matemática. Não queremos voltar a isso”, frisou.

Milton é “de esquerda”

Durante a cerimônia desta tarde, o ministro da Educação assinou um ato que regulamenta o programa de escolas cívico-militares em 2022. Milton Ribeiro é canhoto e brincou que era da esquerda “só para assinar” o documento.

Antes de começar a discursar, Bolsonaro disse, aos risos: “Descobri agora que o Milton é de esquerda”.

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