Maia critica falta de diálogo do governo Bolsonaro com a China

Após reunião com o embaixador da China, o presidente da Câmara disse que a demora no envio de insumos é questão técnica e não política

atualizado 20/01/2021 14:13

Cerimônia posse do ministro Luiz Fux na presidência do Supremo Tribunal Federal STFIgo Estrela/Metrópoles

Após reunião com o embaixador da China, Yang Wanming, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou, nesta quarta-feira (20/1), a falta de diálogo do governo brasileiro com o chinês. Segundo Maia, a embaixada chinesa ainda não havia sido procurada para tratar da questão dos insumos.

Em meio às tensões entre os governos do Brasil e da China, o parlamentar abriu o diálogo com a diplomacia chinesa e marcou uma audiência. “É incrível como a questão ideológica para alguns prevalece em relação à importância de salvar vidas”, criticou Maia, em declaração a jornalistas em frente à residência oficial.

O parlamentar disse que, segundo o diplomata, os conflitos políticos não estão atrasando o envio dos insumos para a fabricação de vacinas no Brasil, mas sim questões técnicas. “O embaixador deixou claro que não há nenhum obstáculo político, que a tramitação técnica que atrasou um pouco, mas estão trabalhando junto ao governo [chinês] de forma clara pela aceleração da exportação dos insumos para o Brasil”, disse. Não há, contudo, prazos.

O parlamentar destacou que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o Instituto Butantan estão em tratativas diretas com os chineses para conseguir os insumos da Coronavac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Butantan, e os da Fiocruz, que é produzida pela AstraZeneca/Oxford.

“Eu falei em nome de milhões de brasileiros que não estão nesse conflito ideológico do governo brasileiro com o governo chinês”, afirmou Maia. “Governos passam, mas precisamos preservar as vidas de milhões de brasileiros que precisam da vacina.”

A demora na chegada dos Ingredientes Farmacêuticos Ativos (IFAs) ameaça a fabricação da Coronavac pelo Instituto Butantan e do imunizante de Oxford/AstraZeneca, que será produzido pela Fiocruz. As 6 milhões de doses da Coronavac que já estão sendo aplicadas devem terminar em poucas semanas.

As relações entre Brasil e China estão minadas pela postura do governo brasileiro, que proibiu seus ministros de receber Wanming. Nos últimos meses, o filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e outros membros do governo fizeram reiterados ataques aos chineses, inclusive chamando o coronavírus de “vírus chinês” e ironizando a “vacina chinesa”.

Últimas notícias