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Política

Lula recebe chanceler russo Sergey Lavrov após criticar EUA e Ucrânia

Nos últimos dias, o presidente Lula acusou os Estados Unidos e a Europa de prolongarem a guerra na Ucrânia e voltou a defender paz na região

Mayara da Paz17/04/2023 17:10, atualizado 17/04/2023 19:47
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Hugo Barreto/Metrópoles
Imagem colorida mostra Sergey Lavrov, chanceler da Rússia - Metrópoles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, na tarde desta segunda-feira (17/4), o ministro de Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, no Palácio da Alvorada.

O encontro não foi divulgado pelo Palácio do Planalto. O chanceler chegou ao Alvorada às 17h, onde permaneceu até as 18h30, sem fazer declarações à imprensa.

Mais cedo, nesta segunda, Lavrov esteve com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Na ocasião, o russo afirmou, sem citar a guerra na Ucrânia, que Brasil e Rússia dividem uma “visão similar” sobre os acontecimentos globais.

O encontro entre Lavrov e Lula ocorre após o petista ter adotado uma postura considerada de “contrariedade” aos Estados Unidos.

Durante agenda na China e nos Emirados Árabes, nos últimos dias, o presidente brasileiro acusou os Estados Unidos e a Europa de prolongarem a guerra na Ucrânia, que já dura mais de um ano, e defendeu a criação de uma espécie de G20 político para restabelecer a paz.

Lula também voltou a acusar a Ucrânia de ter participação no início do conflito. “A construção da guerra foi mais fácil do que será a saída da guerra, porque a decisão da guerra foi tomada por dois países”, disse.

Os Estados Unidos, ao contrário de Lula, consideram a Rússia como culpada pela guerra no Leste Europeu e tem aplicado, desde o início do conflito, uma série de sanções econômicas ao governo de Vladimir Putin.

Nesta segunda, a Casa Branca criticou duramente o Brasil. Questionado sobre o assunto, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Kirby, disse que o governo brasileiro “papagueia propaganda russa e chinesa” sobre a Ucrânia.

Segundo Kirby, a fala de Lula é “profundamente problemática” e que os Estados Unidos não têm “nenhuma objeção a qualquer país que queira tentar pôr fim à guerra”.

Perguntando sobre o assunto após a reunião entre Lula e Lavrov, Mauro Vieira disse, em um primeiro momento que não poderia comentar a declaração, pois não sabia do que se tratava. Após jornalistas insistirem no assunto, o chanceler brasileiro disse desconhecer as razões pelas quais o governo dos Estados Unidos “chegou a essa conclusão”.

“De forma alguma eu concordo. De forma alguma. Não sei como ou por que ele chegou a essa conclusão. Mas não concordo de forma alguma”, afirmou.