Lula convoca para um ano novo de lutas: “Precisamos nos rebelar”

Em entrevista a TV venezuelana, ex-presidente disse que governo Bolsonaro é "ligado a milicianos" e prometeu oposição sem "torcer contra"

atualizado 28/12/2019 0:06

Em postagem feita nessa quinta-feira (23/7), o ex-presidente Lula criticou a postura do chefe do Governo, Jair Bolsonaro, por defender e disseminar o uso da cloroquinaPedro Vilela/Getty Images

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu um 2020 de lutas contra o que considera retrocessos do governo de Jair Bolsonaro (sem partido). “Vou brigar até restabelecer a democracia no Brasil”, disse ele em entrevista ao canal venezuelano Telesur, transmitida pela TV Comunitária de Brasília na noite desta sexta-feira (27/12/2019).

“Bolsonaro está ameaçando todos os dias. Ameaça os negros, ameaça os sem terra, ameaça os artistas… Todo mundo que não concorda com ele, vira inimigo”, afirmou o ex-presidente. “E há uma novidade no país: é um governo ligado a miliciano. Pessoas que fazem justiça com as próprias mãos e isso não podemos aceitar”, continuou ele, citando ainda o que considera demora nas investigações do caso de Fabrício Queiroz, ex-assessor do hoje senador Flávio Bolsonaro (sem partido), e do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ).

Apesar dos ataques, Lula afirmou que não “torce contra” o governo do adversário político. “Não torço pelo fracasso porque, quando um governo fracassa, quem sofre mais é o povo pobre”, avaliou. “Por isso, o seu Bolsonaro tem que ter compromisso moral de cumprir a Constituição e fazer que povo toma café, almoce, coma todo santo dia”, pediu ainda.

Lula, que está livre graças à decisão do Supremo Tribunal Federal que acabou com a obrigatoriedade de prisão após condenação em segunda instância, disse que, no ano que vem, pretende viajar por todo o Brasil para fazer política.

“Nos precisamos nos rebelar, os democratas do continente”, disse o ex-presidente. “O que acontece na América Latina é uma tentativa de destruir o que conquistamos com os governos progressistas”, reclamou ainda, citando os casos da Bolívia, onde seu amigo Evo Morales renunciou, e do Uruguai, onde a frente de esquerda foi derrotada.

“Melhor notícia”
O ex-presidente brasileiro não acha, porém, que só haja notícia negativas no continente. Ele comemorou a eleição de Alberto Fernández para a presidência da Argentina. “Junto com a eleição de Lopez Obrador no México, foi a melhor notícia que tivemos nos últimos anos na América Latina, um alento. Espero que [Fernández] consiga fazer um bom governo”.

Como a entrevista era a um veículo venezuelano, Lula falou bastante do país vizinho e acusou os Estados Unidos de estarem por trás dos problemas enfrentados pela gestão de Nicolás Maduro. “As acusações que fazem contra a Venezuela… Você pode até discordar, mas somente o povo tem direito de colocar ou tirar presidente, pela via democrática”, afirmou. “Se tem erro na economia, se tem erro na política, é o povo que vai ajudar a resolver, não os Estados Unidos”, completou.

Ataques à Lava Jato
O ex-presidente aproveitou a entrevista para voltar a criticar a operação Lava Jato e o ex-juiz federal Sergio Moro, atual ministro da Justiça. “Eu virei um sonho de desejo para o Ministério Público, porque acho que eles não se conformaram com o sucesso do nosso governo”, disse.

“Aos poucos o meu processo judicial vai ficando desacreditado perante a opinião pública. Pessoas que se comportam como marginais, como o juiz Moro, eu não posso respeitar”, atacou.

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