Haddad diz desconhecer propina para secretário de Saúde em sua gestão
Vice na chapa petista reclama de “banalização” de ações por parte do Ministério Público de São Paulo para prejudicar sua campanha

O candidato a vice na chapa petista Presidência da República, Fernando Haddad, acusou o Ministério Público de “banalizar” ações, desconsiderando as necessárias provas nos processos. Em entrevista nesta quarta-feira (29/8), em Belo Horizonte, Haddad voltou a se defender as acusações formuladas pelos promotores de São Paulo que envolveriam a empreiteira UTC e o pagamento de caixa dois a sua campanha para prefeito, em 2014.
O ex-prefeito evitou responder sobre as investigações a respeito de um suposto pagamento de propina para o então secretário de Saúde de sua administração, José de Fillipi Júnior. “Eu não posso responder por ele. Eu realmente desconheço esta história”, disse. “Até porque, ele era de uma secretaria completamente diferente da secretaria que tocava a obra da empreiteira, que eu mandei cancelar porque havia superfaturamento”, defendeu-se.
Banalização
Para o ex-prefeito de São Paulo, há uma “banalização” das ações por parte do Ministério Público. “Hoje a ação virou uma banalidade. Não se pode banalizar uma coisa assim”, reclamou. “Se você demonstrou que contrariou um empresário no segundo mês de seu governo, acabou. Está ali a prova”, disse Haddad, referindo-se ao cancelamento da construção do Túnel Roberto Marinho.
“Segundo meu secretário de obras (Marcos Penido), este empresário iria ganhar uns R$ 300 milhões acima do valor de mercado. Então, eu economizei para São Paulo R$ 300 milhões em função da suspensão do investimento”, repetiu o petista, referindo-se ao ex-presidente da empreiteira, Ricardo Pessoa.
De acordo com a ação baseada na delação do o ex-presidente da empreiteira, Ricardo Pessoa. A propina paga a Fillipi Júnor tinha o objetivo de abrir as portas da prefeitura na capital paulista. “Haddad, já no exercício do mandato de Prefeito de São Paulo, tinha pleno domínio daquela solicitação espúria e dos interesses da UTC/Constran nas grandes obras públicas da Prefeitura de São Paulo; conhecimento este que procurou ocultar com o álibi da “cegueira”, a qual se mostrou absolutamente deliberada, intencional”, afirma a promotoria na denúncia.
Três depoimentos colhidos em agosto sustentam a tese da Promotoria de que Filippi Jr. recebeu R$ 200 mil de propina da UTC enquanto era secretário de Haddad para “atender aos interesses” da empreiteira na prefeitura. Em troca, a empresa teria pago uma dívida de R$ 2,6 milhões da campanha petista de 2012 por meio de caixa 2.
A suposta prática resultou em uma ação de improbidade administrativa movida pelo MP contra Haddad, o ex-secretário e outras cinco pessoas, conforme o Estado de S.Paulo revelou na terça (28/8). Haddad desqualificou a ação de improbidade. Segundo ele, a acusação está baseada na “palavra de um bandido”.


