Gabinete do ódio: assessores de Bolsonaro são marginais, diz Maia

Presidente da Câmara dos deputados criticou atuação de Jair Bolsonaro e disse que Parlamento não será intimidado

atualizado 06/04/2020 18:06

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou o chamado “gabinete do ódio” do Palácio do Planalto e disparou contra assessores presidenciais que, segundo ele, são “marginais”. Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, na madrugada desta segunda-feira (06/04), o democrata disse, ainda, que o trabalho do Parlamento não será afetado pelas ações do grupo.

“Essas brigas paralelas comandadas por um gabinete do ódio, por assessores do presidente que são mais marginais que assessores, não vão de forma nenhuma mudar atitudes do Parlamento. Continuamos votando, nós que aumentamos o valor da renda mínima“, afirmou ele. Após pressão do Congresso e negociações com o governo federal, o benefício inicial de R$ 200 para autônomos e informais subiu para R$ 600. Jair Bolsonaro defendia, antes da intervenção do Congresso, pagar R$ 200.

Para Maia, o presidente e seus assessores estão “fugindo da sua responsabilidade e ficam criando conflitos e insegurança com a sociedade”. “O Palácio do Planalto poderia estar atuando para salvar vidas, empregos, salvar a renda dos mais vulneráveis.”

Ecoando críticas que já vem fazendo desde o início da crise, Maia rechaçou a insistência do presidente em falar e agir contra as medidas de isolamento para conter o avanço do novo coronavírus e cobrou que ele seja responsabilizado caso efetive alguma medida de rompimento da quarentena sem aval do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Se o Brasil tiver problemas parecidos, e parece que teremos, como os de outros países, se Bolsonaro assinar alguma orientação formal que vá contra a orientação de seu próprio ministro e da OMS, certamente responderá pessoalmente a essa decisão sem embasamento”, declarou.

Além de dizer que o governo federal demorou para agir, o democrata também avaliou que ele atrapalha, na verdade: “Governo responde com certa lentidão, até por que há muita opinião divergente, principalmente do presidente, o que gera conflitos internos e acaba atrasando muita coisa”.

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