Fritura de Mandetta começa a ferver nas redes bolsonaristas

Após críticas do presidente Jair Bolsonaro ao ministro da Saúde, pedidos de demissão surgiram em grupos de WhatsApp e redes sociais

atualizado 04/04/2020 11:05

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, na coletiva diária sobre coronavírusIgo Estrela/Metrópoles

As críticas abertas do presidente Jair Bolsonaro ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a quem acusou de falta de humildade e cobrou adesão à agenda da recuperação econômica, foram a senha para que o apoio incondicional rachasse nas redes que apoiam o bolsonarismo. Em grupos de WhatsApp e em redes sociais como Twitter e Facebook, ataques ao ministro e até pedidos de demissão começaram a pipocar desde a noite de quinta-feira (02/04).

O movimento ainda está restrito às bases mais radicais do bolsonarismo, para as quais a fidelidade ao presidente é fundamental. Perfis com números maiores de seguidores ainda não estão fritando o ministro abertamente, apesar de seguirem criticando medidas de isolamento social que Mandetta defende no combate ao coronavírus – razão principal para a implicância de Bolsonaro.

Veja exemplos de críticas a Mandetta colhidas pela reportagem ao longo da sexta-feira (03/04) em grupos bolsonaristas em aplicativos de mensagens e nas redes sociais.

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Associação à velha política
O capital político do médico e político Henrique Mandetta havia subido no bolsonarismo ao longo do mandato, mas houve resistência nas bases quando seu nome foi indicado ao cargo (uma sugestão do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do DEM, hoje rompido com Bolsonaro por causa do coronavírus).

O problema apontado à época era o passado político de Mandetta, que fora deputado federal pelo DEM-MS entre 2011 e 2018. O perfil, para os bolsonaristas, fugia da roupagem técnica e não política que Bolsonaro buscava dar a seu ministério.

Essa postagem de novembro de 2018, do influenciador bolsonarista Allan dos Santos, exemplifica bem a desconfiança:

Dos nomes citados por Santos, o ex-presidente do BNDES Joaquim Levy durou apenas seis meses de governo, enquanto Mandetta havia superado os olhares tortos – até agora.

A associação à velha política é a principal motivação de postagens bolsonaristas críticas a Mandetta que estão surgindo. Há perfis relacionando o ministro da Saúde a outros políticos adversários de Bolsonaro, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Em seguida, aparecem questões ligadas à gestão de Mandetta na crise do coronavírus. A “falta de humildade” citada por Bolsonaro é apontada por alguns, ao lado de acusações como “dificultar a distribuição de hidroxicloroquina”, remédio que o presidente tem defendido como tratamento para a Covid-19, mas que ainda carece de confirmação científica de sua eficácia.

Apoio popular
Apesar de estar rachado no bolsonarismo mais raiz, o apoio ao ministro Mandetta está em rápido crescimento entre a população em geral. Levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV) identificou, desde a última sexta (25/03), que as citações a Mandetta cresceram 2.976% nos debates virtuais.

E pesquisa divulgada pela consultoria XP Investimentos nesta sexta mostrou que 68% avaliam como ótima ou boa a atuação do ministro da Saúde no combate ao coronavírus, enquanto apenas 29% têm essa avaliação do papel que vem sendo desempenhado por Bolsonaro.

Nas rodas mais altas do governo, os lados ainda não se mostram com clareza. Na quinta, após as críticas de Bolsonaro, Rosangela Moro, a esposa do ministro da Justiça, fez postagem no Instagram declarando total apoio a Mandetta. Minutos depois, porém, apagou o texto.

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