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Política

Em discurso de posse, Lira cutuca Maia: "Não há um trono no plenário"

Lira desbancou Baleia Rossi (MDB-SP), que era o candidato apoiado pelo agora ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ)

01/02/2021 23:28
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Rafaela Felicciano/Metrópoles
Arthur Lira

Eleito novo presidente da Câmara dos Deputados com 302 votos, Arthur Lira (PP-AL) anunciou, em seu primeiro discurso como chefe da Mesa Diretora, que tratará as reformas administrativas e tributárias como pautas prioritárias da Casa. A fala de Lira encontra ressonância entre o discurso do novo presidente do Senado Federal, o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), também eleito nesta segunda-feira (1°/2).

Com a fala de Lira e o apoio de Pacheco, o Congresso Nacional, agora, fala a mesma língua. Na avaliação do novo presidente da Câmara, governos anteriores tiveram dificuldades em pautar reformas nas últimas gestões parlamentares. “[As reformas] São mais urgentes do que nunca”, enfatizou.

Apoiado publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Lira disse que buscará o novo presidente do Senado para formar uma pauta comum, emergencial. “Irei propor ao novo presidente do Senado uma ideia geral, fechando e pauta emergencial para encaminhar temas urgentes. O que terá nessa pauta não sou eu que vou dizer. São os parlamentares, os colegiados”, disse Lira.

O novo presidente da Casa também aproveitou a fala para cutucar o seu antecessor, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “A própria Mesa Diretora, como destaquei no discurso anterior, define bem o caráter coletivo e não individualista que deve inspirar a presidência.”

“Não há um trono no plenário. Não há, portanto, um soberano. O presidente não tem uma mesa individual. O presidente trabalha ao lado dos demais membros da mesa. A arquitetura desta casa é clara: tudo aqui deve ser coletivo. A direção deve ser coletiva, a serviço do plenário, que é o coletivo por natureza”, defendeu.
“Neutralidade”

Ainda em seu discurso, Lira adotou um tom conciliador e defendeu uma postura de “neutralidade” do ocupante da cadeira de presidente da Câmara. “A presidência tem que ter neutralidade. A cadeira é giratória para que seu ocupante possa olhar para o centro, para a direita e para a esquerda. A neutralidade deve arcar o exercício dessa presidência. O respeito aos ritos”, disse.

“Eu sei o peso e a dimensão da responsabilidade que Vossas Excelências acabaram de me delegar, e pretendo responder com a minha mais absoluta dedicação e humildade. Fiz questão de iniciar essa jornada com um gesto simbólico, ao lado dessa cadeira, de pé, em homenagem a todos os presentes de todos os partidos que votaram e não votaram em mim.”

Para se eleger, Lira desbancou Baleia Rossi (MDB-SP), que era o candidato apoiado pelo agora ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ). Baleia obteve 145 votos dos 504 deputados presentes.

Lira, que é líder do Centrão, foi candidato oficial do bloco PP, PSL, PL, PSD, Republicanos, Podemos, Pros, Patriota, PSC, PTB e Avante. Se somados os votos do bloco de apoio, o parlamentar conseguiria 236 votos. Ele obteve 302.

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Baleia
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