Duas semanas após deixar MEC, Weintraub segue ministro em sites do governo

Abraham Weintraub deixou Ministério da Educação após sequência de crises com outras instituições. Ele ficou 14 meses no comando da pasta

atualizado 05/07/2020 11:49

Abraham Weintraub franze os olhosAndré Borges/ Especial para o Metrópoles

Abraham Weintraub pediu demissão do cargo de ministro da Educação em 18 de junho (leia mais abaixo). Em vídeo gravado ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ex-ministro anunciou que iria assumir um cargo de diretor representante do Brasil no Banco Mundial, em Washington (EUA).

No entanto, 17 dias após o anúncio, o nome de Weintraub ainda consta na lista de galeria de titulares do Ministério da Educação como chefe efetivo da pasta. Veja: 

Até este domingo  (5/7), a página do Ministério da Educação ainda não havia incluído a data de saída de Abraham Weintraub da pasta

De acordo com a plataforma, a última atualização foi feita em 15 de outubro de 2019. Apesar de a data de saída de Abraham Weintraub ainda não ter sido incluída na página oficial do MEC, páginas como “O Ministro”, que traz informações sobre o chefe da pasta, e “Agenda do Ministro”, que disponibiliza os compromissos oficiais do titular, estão em branco ou como “autoridade não encontrada”.

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Além disso, no site da Presidência da República, apesar de o espaço reservado para o ministro da Educação estar em branco, o nome de Weintraub ainda aparece na lista de ministros do primeiro escalão. Veja abaixo: 

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Novo ministro

Nessa sexta-feira (3/7), o presidente Jair Bolsonaro convidou o atual secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, para assumir o cargo de ministro da pasta. No entanto, há resistência da ala ideológica ao perfil de Feder e pressão para que Bolsonaro repense a escolha. A expectativa, por ora, é de que o presidente aceite o nome, mas ainda não há confirmação oficial.

Antes dele, a nomeação do professor Carlos Alberto Decotelli havia sido publicada no Diário Oficial da União (DOU), mas ele não chegou a tomar posse no cargo.

Decotelli ficou cinco dias no MEC e foi demitido após irregularidades em seu currículo. Com a rápida passagem pelo governo, o professor foi o ministro mais breve da história da Educação. 

Demissão de Weintraub

Abraham Weintraub ficou 14 meses à frente do Ministério da Educação e, assim como seu antecessor, Ricardo Vélez, colecionou uma série de polêmicas. 

A gestão de Vélez frente ao MEC durou pouco mais de três meses. No período em que comandou a pasta, houve ao menos 14 trocas em cargos importantes no ministério, editais publicados com incongruências, e que depois foram anulados, além de frases polêmicas de Vélez, que levaram a críticas.

A polêmica mais recente de Weintraub como ministro ocorreu dias antes de sua demissão, quando o ex-ministro compareceu a uma manifestação de apoiadores do governo, na Esplanada dos Ministérios.

Weintraub não fazia o uso da máscara de proteção, como determina um decreto do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e provocou aglomeração no local. Ele foi multado no valor de R$ 2 mil pelo GDF por não utilizar o equipamento de proteção.

Na ocasião, o ex-ministro foi questionado por apoiadores de Bolsonaro sobre o pagamento de impostos a políticos corruptos, ao que respondeu: “Já falei a minha opinião… O que eu faria com esses vagabundos”, em referência à afirmação feita por ele mesmo, durante reunião ministerial de 22 de abril: “Eu, por mim, colocava esses vagabundos todos na cadeia. Começando pelo STF [Supremo Tribunal Federal]”.

Atualmente, Weintraub está sendo investigado no âmbito do inquérito das fake news, que apura ameaças a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a disseminação de conteúdo falso na internet. O inquérito é conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes.

Além disso, o ex-ministro da Educação responde a outro inquérito no Supremo, mas instaurado a pedido da Procuradoria-Geral da República, para apurar suposto crime de racismo. Em abril, Weintraub disse em uma rede social que a China poderia se beneficiar, de propósito, da crise do coronavírus.

Na mesma publicação, ele ridicularizou os chineses que falam português, pois, em algumas ocasiões, trocam a letra R pela letra L.

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