Dinheiro na cueca: Chico Rodrigues é suspeito de desviar R$ 1 mi da Saúde

Senador faria parte de esquema. Montante superfaturado era destinado ao combate e enfrentamento da Covid-19 no estado de Roraima

atualizado 16/10/2020 15:50

Senador Chico Rodrigues durante conversa com jornalistasMyke sena/Especial Metrópoles

Flagrado com um bolo de dinheiro entre as nádegas, o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), ex-vice-líder do governo Bolsonaro, teria desviado, pelo menos, R$ 965,8 mil de recursos públicos, segundo análise da Polícia Federal (PF).

A informação consta no processo que envolve o senador roraimense. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso retirou o sigilo do documento, ao qual o Metrópoles teve acesso, nesta sexta-feira (16/10).

Chico Rodrigues foi alvo de mandado de busca e apreensão na manhã dessa quarta-feira (16/10). A PF bateu na porta da casa do senador em busca de valores superiores a R$ 20 mil, e encontrou dinheiro até na cueca dele.

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Os potenciais desvios de recursos públicos investigados pela PF deveriam ter sido aplicados no combate à pandemia do novo coronavírus em Roraima. No entanto, há indícios de fraudes e direcionamento de licitação no processo.

Para a PF, Chico Rodrigues faz parte do núcleo político da organização criminosa, que conta com a participação da empresa Quantum Empreendimentos em Saúde, além de funcionários e do então secretário de Saúde do estado.

“A contratação em comento apresentou sobrepreço de R$ 965.800,00. O sobrepreço, assim que se materializa o respectivo pagamento, transmuda-se em superfaturamento”, ressaltam os investigadores.

A PF destaca que R$ 49 milhões foram destinados ao enfrentamento da pandemia no estado, mas o tratamento da saúde dos pacientes com Covid-19 apresenta grandes deficiências – há apenas um hospital com UTI em Roraima.

Dessa maneira, a investigação aponta, no processo, a existência de uma organização criminosa constituída por parlamentares, empresários e servidores públicos voltada para o desvio de recursos destinados à Covid-19.

“[A organização criminosa] se prevalece da emergência na destinação imediata de recursos de alta monta para desviar os recursos e apropriar-se de parte deles via contratações superfaturadas.”

Os nomes

De acordo com as investigações, a empresa Quantum tem como sócio Roger Henrique Pimentel, que “aparentemente é casado com” Sandrea de Araújo Xaud, irmã de Samara de Araújo Xaud, assistente parlamentar de Chico Rodrigues. Já Samara é casada com Jean Frank Padilha Lobato, apontado como operador do Senado.

Além da relação com a Quantum, o senador mantinha conversas com Francisvaldo de Melo Paixão, servidor da Secretaria de Saúde de Roraima. Segundo a polícia, Chico Rodrigues mantinha Francisvaldo no cargo, “a despeito da vontade do próprio Secretário de Saúde, dedicado a acompanhar a execução de suas emendas parlamentares”.

“O senador se articula com o então servidor Francisvaldo para obter informações sobre pagamentos feitos a outras empresas contratadas pela Secretaria de Saúde, inclusive adiantamentos de pagamentos no valor de R$ 2.600.000,00 (dois milhões e seiscentos mil reais) para empresa que possui envolvimento com seu sobrinho e que fornecia orçamentos ‘de cobertura’, ou seja, orçamentos em valor superior ao da empresa que se desejava contratar a fim de justificar o preço”, aponta o processo.

A investigação chama a atenção para o fato de Chico Rodrigues ser integrante da Comissão Mista do Congresso Nacional que acompanha a  situação fiscal e a execução orçamentária e financeira das medidas contra a Covid-19.

O outro lado

O próprio senador foi às redes sociais na noite de quinta (15/10) para se defender. “Acredito na verdade, estou confiante na Justiça e digo que logo tudo será esclarecido e provarei que nada tenho a ver com qualquer ato ilícito de qualquer natureza”, disse ele, em vídeo.

“Vou cuidar da minha defesa, provar minha inocência e volto”, completou ele. Não fica claro, mas aparentemente ele gostaria de voltar à vice-liderança do governo, já que inicia o vídeo dizendo que deixa o cargo para “aclarar os fatos”.

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