Dilma Rousseff avalia impeachment: “A linguagem foi a misoginia”

A ex-presidente também lembrou ter sido chamada de “dura”, histérica” e “maníaca por trabalho” enquanto estava no poder

atualizado 18/04/2021 12:56

Dilma Rousseff em liveReprodução/Facebook

Em diálogo com a comunidade surda, neste domingo (18/4), a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) avaliou os cinco anos do impeachment que sofreu em 2016 e destacou o “caráter misógino”, que, para ela, “formou a linguagem do golpe”.

Dilma acredita que o real motivo para a sua retirada do poder foi o projeto de desenvolvimento econômico para o país que ela representava. No entanto, pelo fato de ser uma mulher na Presidência, toda crítica a ela era no sentido de desacreditar a capacidade das mulheres.

“O golpe foi feito porque eu representava um projeto de redução da desigualdade e de desenvolvimento com inclusão para o país”, avaliou. “Só que ele utilizou toda a contextualização com prejuízo e prejulgamento contrário ao fato de seu ser mulher. A linguagem do golpe foi a misoginia”, avaliou a ex-presidente na live.

“A misoginia é manifestação contrária ao poder que qualquer mulher assume na área pública. No meu caso, eu estava em uma atividade precípua dos homens, que é a Presidência da República”.

“Dura, histérica e maníaca por trabalho”

Dilma ainda concluiu que, se não fosse ela mulher, o golpe teria ocorrido da mesma forma, mas as consequências seriam semelhantes a que Lula sofreu em 2018, levando-o à prisão.

“Se eu não fosse mulher, ocorreria o golpe da mesma forma, mas a resposta seria outra, como a que usaram contra o Lula”, disse Dilma, referindo-se à prisão do ex-presidente Lula, para, segundo ela, tirá-lo da disputa em 2018.

Dilma lembrou ter sido chamada de “dura”, histérica” e “maníaca por trabalho”. Em sua opinião, essas características não seriam levantadas em caso de um homem com o mesmo comportamento.

“A misoginia foi usada em todas as dimensões. Eu era sempre considerada uma mulher dura. Os homens são considerados firmes, as mulheres, duras. Eu era considera frágil, histérica. No caso dos homens, eles são considerados sensíveis”, argumentou.

“Falavam que eu era maníaca por trabalho, já o homem seriam considerados trabalhadores com grande iniciativa”.

Pandemia

A presidente ainda apontou o caos na gestão da pandemia como uma das consequências do impeachment que a tirou do poder.

“Eu acredito que um dos produtos mais terríveis desse golpe é essa pandemia descontrolada devido a um governo que nega a própria existência da doença, o uso de máscara, e que não providenciou as quantidades de vacinas necessárias”, enfatizou a ex-presidente.

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