Deputado não acredita que governo envie proposta de reforma tributária
Presidente da comissão especial da reforma acredita que, se fosse para o Planalto enviar o texto ao Congresso, já o teria feito

O presidente da Comissão Especial da reforma tributária, Hildo Rocha (MDB-MA), acredita que o governo federal não encaminhará à Câmara dos Deputados uma proposta sobre o tema. Atualmente, o colegiado discute a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45, de autoria do deputado Baleia Rossi (MDB-SP).
“Sinceramente, acho que não vão enviar. Se fossem mandar, já teriam mandado”, disse o parlamentar nesta quinta-feira (15/08/2019), ao Metrópoles. Rocha afirmou que o governo está atrasado com os prazos e ressaltou que o único foco da comissão, atualmente, é a PEC do correligionário.
O presidente do colegiado ressaltou ainda que, o parecer da proposta, que será apresentado por Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), será baseado no texto que tramita na Casa, mas estará aberto ao diálogo para conseguir adesão entre os congressistas. “Só discutimos a 45. Se encaminharem algum texto, deverá ser apensado ao projeto do Baleia”, pontuou.
O Ministério da Economia tem ensaiado enviar uma PEC da reforma tributária desde julho, quando o primeiro turno da reforma da Previdência estava prestes a ser concluído. Com o texto ainda desconhecido, a pasta estipulou um prazo para o início do segundo semestre legislativo, no último 6 de agosto. Contudo, não encaminhou.
Na semana passada, integrantes da equipe econômica chegaram a antecipar alguns pontos da medida, como a criação de uma Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), um imposto único e alterações nas taxas de isenção do Imposto de Renda (IR).
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA volta de uma CPMF, no entanto, foi mal vista tanto pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), quanto para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Bolsonaro vetou a criação da alíquota e Maia disse que, na Casa, a medida não passa.
Alternativa
Assinada pelo presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), com mais 66 senadores, a PEC 110/2019 foi apresentada no início de julho, mas ainda está em apreciação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.
O texto foi baseado na reforma do ex-deputado Luiz Carlos Hauly, apresentada em 2004 e aprovada na comissão especial da Câmara em 2018. Ela, contudo, não chegou a ir a plenário.
De acordo com o projeto, seriam extintos IPI, IOF, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, Salário-Educação e Cide Combustíveis — além do imposto estadual ICMS e o municipal ISS.
Mas, diferentemente da reforma de Baleia, seriam criados o Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS), que teria tributação sobre valor agregado, nos estados, e o Imposto Seletivo (IS), no âmbito federal, sobre operações com bens e serviços.



