Delator revela detalhes de caixa 2 em campanhas eleitorais no Rio

Marqueteiro Renato Pereira atuou nas candidaturas dos peemedebistas Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Eduardo Paes e Pedro Paulo

atualizado

metropoles.com

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PMDB RJ/Divulgação
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1 de 1 20151226_pmdbrj (1) - Foto: PMDB RJ/Divulgação

A delação do marqueteiro do PMDB Renato Pereira, à qual o Metrópoles teve acesso, revela em detalhes como foram realizadas as últimas campanhas eleitorais do PMDB ao Governo do Estado e à Prefeitura do Rio de Janeiro. Na terça-feira (14/11), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowiski pediu a abertura de inquérito pela Polícia Federal para apurar como se deu o vazamento das declarações de Pereira – que estavam em segredo de Justiça –, ao mesmo tempo que retirou o sigilo da colaboração premiada e devolveu o acordo para revisão de cláusulas por parte da Procuradoria-Geral da República. Nesta quinta-feira (16), a PGR recorreu contra a quebra de sigilo e a PF informou ter começado a investigar a divulgação.

Ao Ministério Público Federal (MPF), Renato Pereira explicou que parte dos valores repassados pelo PMDB à área de Comunicação nos períodos pré e eleitoral eram via caixa 2. Segundo ele, produtoras oficialmente contratadas pelo partido transferiam recursos às empresas pelas quais o marqueteiro atuava e tinham a atribuição de emitir notas fiscais, via de regra “com quantia menor do que a efetivamente cobrada”.

Odebrecht
Ele contou ter sido procurado, a pedido de Eduardo Paes, por Leandro Azevedo, ex-superintendente da Odebrecht no Rio. O executivo também firmou acordo de colaboração premiada com o MPF, e revelou o pagamento de caixa 2 pela empreiteira aos peemedebistas Luiz Fernando Pezão e Paes (na imagem em destaque, com Pedro Paulo, Jorge Picciani e Sérgio Cabral), além do senador petista Lindbergh Farias (PT) e do ex-governador Anthony Garotinho e sua mulher Rosinha, ambos do PR.

“À semelhança da sistemática adotada na pré-campanha de Sérgio Cabral para o governo do Estado [2010], a Odebrecht fez pagamentos mensais, sempre em espécie e através de emissários, no prédio da produtora Nimbus ou da Prole, mediante fornecimento de senha anteriormente informada a mim por Leandro Azevedo via BBM.”

Os pagamentos, disse, seriam para custear despesas da pré-campanha, como produção de filmes e realização de pesquisas de opinião. “Tais valores foram faturados contra o PMDB pelos fornecedores, em cifra menor do que a efetivamente cobrada, de tal sorte que a complementação do pagamento era feita por nosso intermediário, com recursos não contabilizados”, afirmou o marqueteiro aos procuradores do MPF. Pereira calculou em “cerca de cinco parcelas de R$ 300 mil” a totalidade de tais despesas.

“Já no segundo semestre de 2010, conversei com Sérgio Cabral e [o ex-secretário de Governo do Rio] Wilson Carlos Cordeiro Carvalho sobre o valor da campanha, sempre com o aval anterior de meus sócios, chegando à definição de que seria cobrado de R$ 10 mil a R$ 12 mil. Com a aprovação, o cronograma de pagamento foi definido entre mim (sic) e Wilson Carlos”, detalhou Ricardo Pereira.

Em junho, Cabral e Wilson Carlos foram condenados pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção pelo juiz Sérgio Moro. O ex-governador, que teria recebido R$ 2,7 milhões em propinas pagas pela Andrade Gutierrez referentes às obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, terá que cumprir 14 anos e dois meses de prisão. Amigo de infância do ex-governador, Wilson Carlos pegou 10 anos e oito meses de detenção.

“Nas campanhas, costumava-se pagar uma parte do valor oficialmente, e outra via caixa 2”, admitiu. “Eu tinha consciência da necessidade de aumentar a quantia declarada, principalmente considerando as cifras oficiais das campanhas de São Paulo no período, visivelmente discrepantes das declaradas no Rio de Janeiro. No entanto, apesar dos pedidos de minha parte para que os pagamentos fossem realizados de forma legal, parte dos recursos foi recebida por meio de caixa 2”, acrescentou o delator.

Renato Pereira contou ainda ter negociado cerca de R$ 20 milhões com Eduardo Paes e o deputado federal Pedro Paulo, candidato de Paes à Prefeitura nas eleições municipais de 2016. Segundo o delator, o dinheiro era pago sempre em espécie, e durante encontros pré-agendados.

Também na última terça (14), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, apresentou ao Supremo denúncia contra Paes e Pedro Paulo por crime eleitoral – a dupla foi flagrada fazendo carreata na capital do estado no dia da eleição municipal de 2016.

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