Defesa de homem que esfaqueou Bolsonaro não revela contratante

Advogado informa ter sido contratado por uma pessoa do município de Montes Claros (MG) que pediu sigilo sobre sua identidade

atualizado 09/09/2018 6:42

Reprodução

O advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, que defende Adelio Bispo de Oliveira, autor do atentado a faca contra Jair Bolsonaro, afirmou neste sábado (8/9) que foi contratado por uma pessoa do município de Montes Claros (MG) que pediu sigilo sobre sua identidade. O agressor vivia na cidade do Norte de Minas.

Segundo Zanone, até o momento foram pagos apenas os deslocamentos e custos da atuação da defesa em Juiz de Fora (MG), onde Bolsonaro foi esfaqueado por Oliveira.

Oliveira e familiares aparentemente não possuem recursos para arcar com o custo de advogados. Além de Zanone, a defesa de Oliveira é constituída por outros três advogados: Pedro Augusto de Lima Felipe e Possa, Marcelo Manoel da Costa e Fernando Costa Oliveira Magalhães.

Eles representam escritórios em Belo Horizonte e região metropolitana, Barbacena (MG) e Lajeado (RS). “Um processo desse não é barato”, admitiu Zanone ao Estado. “Tem uma história que vão fazer uma vaquinha. Espero mesmo que façam. Mas a gente não está sendo financiado por igreja alguma”, disse o advogado.

Em Montes Claros, segundo as primeiras informações, Oliveira teria frequentado a Igreja do Evangelho Quadrangular. O Estado não conseguiu contato neste sábado com algum representante da igreja.

Zanone já atuou em outros casos de repercussão nacional, como no assassinato de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes. Zanone defende o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, condenado pelo assassinato. Ele também fez a defesa de Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, condenado como um dos mandantes da missionária americana Dorothy Stang.

Ele disse que acredita ter sido contatado para atuar na defesa de Oliveira por ser especialista em casos de homicídio e dar aulas em uma universidade Montes Claros e cursos. Ele afirmou que o contrato prevê atuação somente na fase da investigação. “Não sei se é interesse nosso continuar”, afirmou. “Tem gente dizendo que fomos procurados pelo PT, por partidos políticos. Mas não tem nada disso. Agora, a gente receberia de qualquer um. Se o partido do Bolsonaro nos contratar, a gente defende. Não temos nada contra o Bolsonaro.”

A defesa já decidiu que vai pedir o “incidente de insanidade” do cliente, que usa medicação controlada, de acordo com a defesa. Segundo os advogados, três peritos ofereceram serviço gratuito. “Normalmente eles cobram de R$ 20 mil a R$ 30 mil por perícia”, disse Zanone.

“Ele acredita que aquilo que fez foi para proteger as pessoas, a Nação de um facínora”, disse o também advogado Fernando Magalhães. “Não vendemos fantasia. Vendemos serviço jurídico. Não tem condição de absolvê-lo.”

no início da próxima semana. Segundo uma funcionária do hospital, ele deslocou a clavícula em um dos confrontos.

Uma das informações que os investigadores já levantaram sobre o histórico de Oliveira é a de que, nos últimos 15 anos, ele passou por 39 empresas distintas, com salários baixos. Isso chamou a atenção diante da apreensão dos quatro celulares e do computador.

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