De nádegas a lixeira: relembre alguns “esconderijos” inusitados de dinheiro

O episódio mais recente foi o do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado com dinheiro nas nádegas nessa quarta-feira (14/10) em Roraima

atualizado 15/10/2020 15:58

Senador Chico RodriguesJefferson Rudy/Agência Senado

O flagrante de notas de reais nas nádegas do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), então vice-líder do governo Bolsonaro no Senado, na operação da Polícia Federal realizada nesta quarta-feira (14/10), não é o único caso de “esconderijos” curiosos e inusitados de dinheiro.

Ao longo das operações policiais realizadas pelo país, a cueca se tornou uma espécie de refúgio tradicional, vide o próprio Rodrigues. No entanto, outros locais menos “tradicionais” já foram utilizados para fugir do flagra – geralmente tentativas em vão.

Em julho deste ano, o conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Waldir Teis, foi preso ao ser flagrado pela PF tentando rasgar e jogar cheques na lixeira do escritório. Os valores somados chegariam à quantia de R$ 450 mil.

Teis é investigado na operação Ararath, que apura esquema de fraudes e transações financeiras entre 2012 e 2018. A suspeita é de que o ex-governador Silval Barbosa tenha pago R$ 53 milhões aos conselheiros investigados para que as contas do seu governo fossem aprovadas no TCE.

Panelas

Em 2018, a Polícia Federal apreendeu R$ 80 mil dentro de uma panela na cozinha de Átila Jacomussi (PSB-SP), ex-prefeito de Mauá, no âmbito da operação Prato Feito. O gestor foi afastado do cargo e preso. Porém, conseguiu voltar à prefeitura e foi alvo de nova operação.

O Bunker de Geddel

Em 2017, a Polícia Federal descobriu um apartamento do ex-ministro Geddel Vieira Lima, em Salvador (BA), que servia como esconderijo de R$ 51 milhões – o local ficou conhecido como o “Bunker de Geddel”. Havia no apartamento cerca de R$ 42,6 milhões e outros US$ 2,7 milhões (o equivalente a R$ 8,4 milhões) em malas.

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-ministro e seu irmão, o ex-deputado Lúcio Vieira Lima, pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Na Bíblia

Os fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, Estevam e Sônia Hernandes, foram detidos no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos, em 2007. Eles tentavam entrar no país com US$ 56,4 mil não declarados. O dinheiro estava escondido em malas, numa bolsa, na capa de uma bíblia, em um porta-CDs.

O casal Hernandes foi condenado naquele mesmo ano pela Justiça norte-americana a 140 dias de reclusão, mais cinco meses de prisão domiciliar, mais dois anos de liberdade condicional e multa de U$S 30 mil, cada, pelos crimes de conspiração e contrabando de dinheiro.

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Cueca

Em 2005, o então assessor parlamentar José Adalberto Vieira da Silva foi detido no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com R$ 200 mil em uma valise e U$S 100 mil na cueca. À época, Adalberto trabalhava para o deputado José Guimarães (PT-CE).

Sete ano depois, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) excluiu Guimarães da acusação de improbidade administrativa por falta de provas do seu envolvimento no caso.

Contudo, não é o único caso de dinheiro escondido em cueca. Em 2009, um vídeo mostra o ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal, Durval Barbosa, entregando maços de dinheiros ao empresário Alcyr Collaço, que colocou as cédulas de R$ 100 na cueca. O caso faz parte do chamado “Mensalão do DEM em Brasília”. O valor total não foi divulgado.

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