Damares defende extremista: “Não foi Sara Winter que vazou nome de menina”

Em entrevista, a ministra apontou que a identidade de menina estuprada já circulava em grupos na semana que antecedeu o aborto

atualizado 22/09/2020 16:21

Michael Melo/Metrópoles

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, saiu em defesa a extremista Sara Giromini, conhecida como Sara Winter, investigada por ter vazado, nas redes sociais, o nome a menina de 10 anos que ficou grávida vítima de estupro do tio, no Espírito Santo.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, Damares disse que antes do vídeo divulgado pela extremista, dando o nome da menina e o endereço da clínica onde ela seria recebida em Recife para realizar o procedimento de interrupção da gravidez, a identidade da garota já havia sido divulgada durante a semana que antecedeu a postagem.

Embora a ministra diga não concordar com o vídeo divulgado por Sara Winter, ela disse que a investigação precisa focar em quem primeiro divulgou o nome da menina.

“Sara Winter trabalhou três meses aqui no Ministério e saiu em outubro de 2019. Pelo que Sara Winter falou, em sua defesa, o nome dessa menina estava rolando em diversos grupos – e ela tem como provar que recebeu o nome dessa menina muito cedo. Sara Winter gravou um vídeo, mas não foi Sara Winter que vazou”, asssegurou Damares, nesta terça-feira (22/9).

“Esse nome já estava durante a semana vazado e é isso que eu quero descobrir. Sara Winter não podia ter gravado o vídeo dizendo o nome da menina, mas quem vazou esse nome? Eu quero saber quem vazou esse nome”, completou.

A divulgação nas redes sociais do vídeo da extremista levou dezenas de religiosos fundamentalistas antiaborto para a porta do hospital que atendeu a menina em Pernambuco, ao ponto de a criança e sua avó precisarem entrar na unidade dentro do porta-malas de um carro. Além disso, houve tentativa a de invasão da unidade e todo o procedimento ocorreu enquanto esses ativistas xingavam a menina de “assassina”.

Salvar duas vidas

A ministra reclamou que vem sendo chamada de “estupradora” e de “defensora de pedófilo” e disse aguardar o resultado das investigações sobre o que ocorreu no caso da menina para ver o que está por trás de todas essas acusações.

“Sempre que puder salvar as duas vidas, nós vamos lutar para salvar as duas vidas. É a minha posição. Vamos ler o que está por trás de tudo isso, vamos esperar os resultados das investigações. Vamos esperar. Inclusive eu estou sendo acusada de estupradora, de pedófila, que eu defendo pedófilo”, disse Damares, sem revelar de quem parte as acusações.

Damares voltou a negar interferência no caso com o objetivo de impedir que a menina abortasse e de tentar fazer com que a criança levasse a gravidez até que o bebê tivesse condições de sobreviver. A ministra ainda contra-atacou, cobrando explicações sobre quem teria pago o avião que levou a menina para Pernambuco, onde o procedimento foi realizado e ainda como foi o atendimento da menina por parte dos serviços sociais do Espírito Santo.

“Eu não me envolvi nessa história como está todo mundo falando. A senhora conversou com o médico? Não. A senhora falou com o fulano? Não. Tudo que eu sei é pelo que eu estou lendo. Porque esse caso está sendo investigado, eu estou sendo investigada, minha equipe está sendo investigada e eu também pedi investigação. Tipo: quem pagou aquele avião para a menina ir para Pernambuco? Quem esteve na casa da menina? Foi só aquele grupo que não queria que a mãe abortasse ou teve outros grupos antes?”, questionou a ministra.

0

 

Últimas notícias