Congresso Nacional mantém veto de Bolsonaro à quimioterapia oral
Projeto vetado por Bolsonaro obriga planos de saúde a cobrirem gastos de pacientes com câncer que fizerem quimioterapia oral em casa

O Congresso Nacional manteve, nesta terça-feira (8/2), o veto total do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Projeto de Lei nº 6.330, de 2019, que obriga planos de saúde a cobrirem gastos de pacientes com câncer que fizerem quimioterapia, por meio de comprimidos, em casa. O veto chegou a ser derrubado no Senado Federal, mas foi mantido pelos deputados.
A proposta vetada integralmente por Bolsonaro é de autoria do senador Reguffe (Podemos-DF). Durante a sessão, o parlamentar defendeu que “não existe país no mundo que trate de forma diferenciada o endovenoso ou o oral”.
“É muito mais humano, para um paciente com câncer, tomar um comprimido de quimioterapia no conforto da sua casa do que ter de se internar em um hospital para tomar a quimioterapia na veia”, disse o congressista.
Ao vetar a proposta, Bolsonaro alegou risco de comprometimento da sustentabilidade do mercado de planos privados de assistência à saúde. O argumento financeiro adotado pelo governo para derrubar a matéria foi rebatido pelo senador. “Na maioria dos casos, o custo do tratamento oral, com o paciente em casa, é mais barato do que internação hospitalar.”
Segundo o Executivo, a proposição legislativa poderia provocar um inevitável repasse dos custos adicionais aos consumidores.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“De modo que encareceria, ainda mais, os planos de saúde, além de poder trazer riscos à manutenção da cobertura privada aos atuais beneficiários, particularmente aos mais pobres”, defendeu o presidente no veto.
Outro ponto indicado pelo governo federal para a derrubada da matéria é a falta de “devida avaliação técnica da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)”.
O Executivo argumenta ainda que a medida contraria o interesse público, pois “deixa de levar em consideração aspectos como a previsibilidade, a transparência e a segurança jurídica aos atores do mercado e a toda a sociedade civil”.



