Com secretário de Guedes, grupo de WhatsApp discute ato do dia 15

Empresário pró-governo revela na conversa que bancará carros de som das manifestações pró-Bolsonaro e anti-Congresso e STF

atualizado 26/02/2020 19:56

Um grupo de Whatsapp chamado de “Mkt Bolsonaro” é usado para discutir os atos convocados para o próximo 15 de março, em todo o país, em defesa do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) – e que incluem na pauta ataques ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os membros estão bolsonaristas, blogueiros, empresários e até um integrante do governo: o secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, do Ministério da Economia, Carlos da Costa. As informações são do BrPolítico, que teve acesso aos prints das conversas.

No último 21 de fevereiro, segundo a reportagem, o investidor Otavio Fakhoury criticou um representante do movimento Vem pra Rua por não declarar apoio aos protestos. No grupo, o empresário anunciou ainda que poderia “ajudar a pagar o máximo de caminhões que puder” para as manifestações. “Convocarei todos que eu conhecer. Não vou deixar esses canalhas derrubarem esse governo.”

O integrante do Vem pra Rua explicou que o grupo não apoia alguns atos do governo, como aquele que sancionou a criação do juiz de garantias: “O Vem pra Rua não pauta a rua, ele dá voz à rua”. Irritado, Fakhoury rebateu a declaração.

“Quando era o PT roubando os cofres públicos e comprando o Congresso com petrolão, mensalão etc. esses energúmenos não viam nada de autoritário… Agora é que eles veem? Aah, me poupem. Canalhas! Tenho informações de lá de BSB (Brasília). Temos que todos irmos pra rua o quanto antes. VPR não quer ir, beleza, no surprise” (aparentemente referindo-se ao vice-presidente, Hamilton Mourão).

Ao BrPolítico, o investidor confirmou a veracidade das conversas e informou que ainda pretende custear os caminhões de som para os atos pró-governo e anti-Congresso do próximo dia 15. Questionado sobre a presença de Carlos da Costa, assessor do ministro da Economia, Paulo Guedes, Fakhoury esclareceu que ele quase não participa das discussões, só usa o meio para divulgar ações da pasta “de conhecimento público”.

Entenda
Metrópoles revelou, nessa terça-feira (25/02/2020), que o presidente Jair Bolsonaro tem divulgado manifestação a favor do governo e contra o Parlamento desde antes do Carnaval, conforme confirmou o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), amigo próximo de Bolsonaro.

O movimento, marcado para o próximo dia 15 de março, foi inflamado após comentário do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, chamando os parlamentares do Congresso de “chantagistas”.

No Twitter, Bolsonaro tentou se explicar sobre o envio de vídeos a favor dos protestos – sem negar a veracidade do compartilhamento.

“Tenho 35 milhões de seguidores em minhas mídias sociais, com notícias não divulgadas por parte da imprensa tradicional. No WhatsApp, algumas dezenas de amigos onde trocamos mensagens de cunho pessoal. Qualquer ilação fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República”, escreveu.

Deputados ligados ao presidente, como Carla Zambelli (PSL-SP) e Filipe Barros (PSL-PR), também anunciaram adesão à pauta e convocaram a população a participar da manifestação.

 

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