Colégio Militar: professor foi afastado por discurso político, diz Exército

Professor major Cláudio Fernandes teria se "desviado do assunto da disciplina", informou o Exército em nota enviada ao Metrópoles

atualizado 05/06/2020 14:20

Major Cláudio, durante live a alunos do CMBImagem cedida ao Metrópoles

O professor de geografia major Cláudio Fernandes, do Colégio Militar de Brasília (CMB), foi afastado, segundo o Exército Brasileiro, por ter se “manifestado politicamente” e “desviado do assunto da aula”.

Conforme revelou o Metrópoles, o professor criticou nessa quarta-feira (03/06), durante aula on-line ao 9º ano do ensino fundamental, a abordagem da Polícia Militar nas manifestações do último fim de semana e, também, o fascismo.

Em nota, o Departamento de Educação e Cultura do Exército esclareceu que o militar foi temporariamente afastado para poder “exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa” no processo administrativo.

“Responde por ter se manifestado politicamente durante a videoaula que ministrava e, ainda, por ter se desviado do assunto durante a maior parte do tempo da aula, não respeitando, dessa forma, o previsto no Plano Sequencial Didático do Sistema Colégio Militar do Brasil”, informou.

O departamento explicou que manifestações políticas contrariam o artigo 45 do Estatuto dos Militares, Lei nº 6.880, de 9 de dezembro de 1980. Veja o que está escrito nessa legislação:

“São proibidas quaisquer manifestações coletivas, tanto sobre atos de superiores quanto as de caráter reivindicatório ou político.”

Entenda

Durante o curso, o major apontou que os policiais trataram de uma maneira pacífica manifestantes pró-Bolsonaro, mas não os que protestavam contra o governo. “Então, dois pesos e duas medidas”, disse.

“No domingo, como vocês devem ter acompanhado, houve dois protestos. Uma senhora branca, falsamente com uma bandeira do Brasil nas costas, patriota de araque que ela é, e com um tremendo de um taco de beisebol: para fazer o que? O policial [disse]: ‘Não, minha senhora, saia daqui, e tal’. Enquanto que os outros manifestantes foram tratados a bomba de gás lacrimogênio”, afirmou.

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Ele prosseguiu com uma crítica ao que chamou de fascismo, ideologia política surgida na Itália de Benito Mussolini, após a Primeira Guerra Mundial, e termo que tem sido usado pela oposição associado ao atual governo.

“Isso é para vocês refletirem que mundo de escuridão que a gente dá. E é esse o problema, porque isso tudo remete a um fascismo, que a gente não quer mais no mundo. E esse mundo é de todos”, completou o professor.

Assista ao vídeo:

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