Colégio Militar de Brasília afasta professor que criticou PMs e fascismo

Professor "major Cláudio", que dá aulas de geografia, criticou abordagem da PM durante os protestos desse fim de semana

atualizado 04/06/2020 19:34

Major Cláudio, durante live a alunos do CMBImagem cedida ao Metrópoles

Um professor do Colégio Militar de Brasília (CMB), que pertence ao Exército Brasileiro, foi afastado do ofício após criticar durante uma aula a abordagem de policiais durante os protestos deste fim de semana e, em seguida, o fascismo.

O Colégio Militar de Brasília realiza uma reunião com os pais na tarde desta quinta-feira (04/06) para explicar o afastamento do professor de geografia major Cláudio Fernandes.

Veja:

Conforme apuração do Metrópoles, o professor dava aula nessa quarta-feira (03/06), por meio de uma live, para o 9º ano do ensino fundamental quando proferiu as críticas.

Durante o curso, o major apontou que os policiais trataram de uma maneira pacífica manifestantes pró-Bolsonaro, mas não os que protestavam contra o governo. “Então, dois pesos e duas medidas”, disse.

“No domingo, como vocês devem ter acompanhado, houve dois protestos. Uma senhora branca, falsamente com uma bandeira do Brasil nas costas, patriota de araque que ela é, e com um tremendo de um taco de beisebol: para fazer o que? O policial [disse]: ‘Não, minha senhora, saia daqui, e tal’. Enquanto que os outros manifestantes foram tratados a bomba de gás lacrimogênio”, afirmou.

Ele prosseguiu com uma crítica ao que chamou de fascismo, ideologia política surgida na Itália de Benito Mussolini, após a Primeira Guerra Mundial, e termo que tem sido usado pela oposição associado ao atual governo.

“Isso é para vocês refletirem que mundo de escuridão que a gente dá. E é esse o problema, porque isso tudo remete a um fascismo, que a gente não quer mais no mundo. E esse mundo é de todos”, completou o professor.

O diretor-geral do Colégio Militar de Brasília, Coronel Vinícius, gravou um vídeo confirmando o afastamento do professor. “Já determinei a abertura de um processo administrativo para esclarecer a situação e apurar responsabilidades”, afirmou.

O Exército Brasileiro foi procurado para comentar o assunto, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

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