Ciro Nogueira nega que Auxílio Brasil seja eleitoreiro

Ministro da Casa Civil também afirmou que Bolsonaro está perto de definir futuro partidário e disse que a vice deve ser oferecida ao Centrão

atualizado 27/10/2021 16:40

Ministro casa Civil, Ciro Nogueira e Ministro da cidadania, João Roma saindo da Câmara dos Deputados após reunião com presidente da Arthur Lira 3Igo Estrela/Metrópoles

O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, negou que o Auxílio Brasil, programa social que vai substituir o Bolsa Família, tenha um caráter eleitoreiro. O político do PP argumentou que o benefício termina em dezembro de 2022, dois meses após a eleição.

Ele, porém, não detalhou qual o plano do governo para atender a parcela da sociedade que vai deixar de receber o pagamento a partir de 2023. A iniciativa é vista como uma forma de ajudar a recuperar a popularidade da gestão Jair Bolsonaro.

As declarações de Ciro Nogueira foram dadas à emissora GloboNews. A entrevista completa será exibida às 23h30 desta quarta-feira (27/10), no programa “Em Foco”.

Nogueira cobrou a aprovação das reformas pelo Congresso e justificou a “licença” do governo para furar o teto de gastos, regra que impede o governo de deixar as despesas crescerem acima da inflação do ano anterior, e custear o programa. Segundo ele, as pessoas que estão passando fome não estão na “Avenida Paulista”, mas no Nordeste.

“Temos 20 milhões de pessoas precisando e essas pessoas não estão na Avenida Paulista, estão no Nordeste, nas periferias. As pessoas pensam muito em teto. E o chão: ninguém vai pensar? Vamos pensar no teto e não no chão?“, questionou.

Na última semana, a ala política do governo, a qual Nogueira integra, entrou em embate com a equipe econômica em razão das negociações para viabilizar o programa social. Em público, o ministro elogiou o titular da Economia, Paulo Guedes, mas pontuou que o governo tem “Guedes e mais 10” e o economista precisa ter sensibilidade.

“Eu costumo dizer que o governo do presidente é um governo em que nós temos o Paulo Guedes e mais 10. Ele é a pessoa que tem dado toda sustentabilidade econômica, tem todo nosso apoio. É um defensor do teto de gastos, mas também tem que ter sensibilidade dessa situação que o país está vivendo. Nós precisamos ajudar essas pessoas que estão passando fome”.

Eleições 2022

Ciro Nogueira disse acreditar que a reeleição do presidente Jair Bolsonaro depende da melhora na economia. “Eu não tenho dúvida que a reeleição virá se a economia melhorar como eu estou prevendo”.

Ele admitiu que há um risco de não melhorar “como ele está prevendo”, mas disse que segue “otimista” e prefere aguardar para comentar as avaliações de instituições financeiras que preveem piora no cenário econômico.

Ex-apoiador de Lula, a quem chamou de “melhor presidente da História”, em 2017, Ciro Nogueira comparou o ex-presidente a um “celular de 2002”, que a população não vai querer em 2022. Sobre o episódio em que chamou Bolsonaro de “fascista”, Nogueira disse ter mudado de ideia.

“Eu costumo dizer você vai comprar um celular, você não vai comprar um celular de 2002. O Lula foi importante em 2002, naquele momento, mas a forma que o Lula vem agora vai ser o Lula para fazer trazer seu Lindenberg, Zé Dirceu, para o país e a população não quer isso. As pessoas não querem as pessoas de volta no comando do país. Então, vai ser o Lula para trazer o PT de volta ao poder”.

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O ministro avaliou ainda que não há a “menor possibilidade “ para uma terceira via despontar nas eleições de 2022, comentando a respeito das possíveis candidaturas do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), que se filiou hoje ao PSD, e do ex-ministro Sergio Moro, que deve ir para o Podemos.

Ciro Nogueira, que está licenciado da presidência do PP, afirmou que Bolsonaro está prestes a decidir para qual partido irá. Ele assinalou que será “natural” que a vice-presidência em 2022 seja do partido do Centrão que não levou a filiação do presidente.

“Torço para que seja o Progressistas. Eu vou ficar muito feliz se o presidente vier para o nosso partido. Existe uma unidade, 99% do nosso partido está unido, vai marchar com o presidente no próximo ano. Coisa que não acontecia no ano passado, o partido sempre se dividia. Mas, se ele for para os liberais… Vai ter um… É um partido grande também, tem um comando, tem uma representatividade. Também se ele for para outro partido, fala-se em PTB, outros partidos menores. O que ele não pode ficar é sem partido. Ele é a namorada da vez, então, ele não tem essa inviabilidade eleitoral se todo mundo está querendo ele e eu fico muito feliz com isso. Eu acredito que, se ele for para o PL, o natural é ser o vice do Progressistas, se ele for para o Progressistas o natural… tem também o Republicanos, acho que o vice não vai fugir desses três partidos, não”.

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