China fez “gestão” com Brasil após fala de Bolsonaro sobre coronavírus

Bolsonaro voltou a insinuar que a China pode ter "criado" o novo coronavírus. Desde o início da pandemia, o presidente responsabiliza o país

atualizado 06/05/2021 14:56

Presidente Jair BolsonaroAline Massuca/Metrópoles

A diplomacia chinesa entrou em contato com o governo brasileiro após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) insinuar que o país asiático teria “criado” o novo coronavírus, causador da  Covid-19, para desencadear uma “guerra química”.

Na quinta-feira (6/5), a embaixada da China no Brasil afirmou que fez uma “gestão” após a fala do presidente brasileiro.

“A parte chinesa já fez a gestão com a parte brasileira sobre o assunto. Não temos mais informações para divulgar nesse momento”, informou, em nota.

Nesta quarta-feira (5/5), Bolsonaro voltou a insinuar que a China pode ter “criado” o novo coronavírus. As declarações foram dadas em um evento no Palácio do Planalto.

“É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou nasceu porque um ser humano ingeriu um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra?”, salientou.

A afirmação contraria a que foi fornecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade frisa que o novo coronavírus provavelmente teve origem animal. O Sars-CoV-2 foi detectado inicialmente no país asiático.

Relação conturbada

Desde o início da pandemia, Bolsonaro insiste em afirmar que a China é responsável pela proliferação do coronavírus. O discurso foi o mesmo adotado pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Para o Brasil, a China continua sendo o maior parceiro comercial.

Um dos exemplos das investidas do presidente contra o país asiático foi a comemoração da suspensão dos testes da vacina do laboratório chinês Sinovac após registro de um “evento adverso” com um voluntário. “Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”, escreveu no Twitter.

As críticas já causaram problemas diplomáticos e comerciais entre Brasil e China. A Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão do Ministério da Economia, e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) não quiseram comentar o assunto

Repercussão

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), criticou a fala do presidente.

“Não é momento de a gente cutucar ninguém, nem aqui entre nós. Nós estamos na mão dos chineses para trazer o IFA, a gente depende da China para alguns insumos”, completou o presidente da CPI.

O presidente da Frente Parlamentar Brasil-China, deputado Fausto Pinato (Progressistas-SP), reagiu às insinuações.

“A meu ver, não se trata de uma pessoa irresponsável, desequilibrada e sem noção de mundo. Na verdade, pode tratar-se de uma grave doença mental que faz o nosso presidente confundir realidade com ficção”, declarou, em nota.

O deputado ainda propõe o afastamento compulsório de Bolsonaro. “Penso que estamos diante de um caso em que recomenda-se a interdição civil para tratamento médico”, conclui.

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