Braga Netto sobre suposto golpe: "Será cumprida a Constituição"
Ministro da Defesa vai a comissão na Câmara. Reunião foi marcada por desentendimentos sobre o uso da máscara contra a Covid-19

Na manhã desta terça-feira (17/8), o ministro da Defesa, Braga Netto, em comissão conjunta na Câmara dos Deputados, disse que não existe articulação fora do previsto na Constituição Federal. O titular da pasta federal respondia a questões relacionadas a ameaças proferidas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e por aliados do governo.
“É isso que as Forças Armadas fazem: nem para um lado nem para o outro. Elas cumprem o que está previsto da Constituição Federal. O presidente me assegurou que será cumprida a Constituição e me disse que jogará dentro das quatro linhas do poder. Não existe nenhuma articulação fora do previsto na Constituição”, disse o general à comissão.
Entre outros assuntos, os parlamentares questionaram o ministro da Defesa sobre falas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acerca do Supremo Tribunal Federal (STF), e sobre a previsão de manifestações no próximo dia 7 de setembro, nas quais supostamente haveria uma intervenção contra a legitimidade do mandato dos magistrados da Suprema Corte.
A coluna de Guilherme Amado, no Metrópoles, também revelou, no domingo (15/8), que o presidente Jair Bolsonaro encaminhou uma mensagem para uma lista de transmissão no WhatsApp, em que falava sobre a necessidade de um “contragolpe”. O mandatário da República convocou apoiadores para se manifestarem no dia 7 de setembro, com o objetivo de mostrar que ele e as Forças Armadas têm apoio para uma ruptura institucional.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO ministro disse que enviou aos comandantes das Forças Armadas um comunicado no qual informa, por ordem do presidente Jair Bolsonaro e em decorrência da pandemia da Covid-19, que não haverá desfiles no dia 7 de setembro. “As Forças Armadas trabalham dentro da legalidade o tempo inteiro”, reiterou o general.
Braga Netto também negou que tenha almoçado com o cantor Sérgio Reis, na quinta-feira (12/8). O artista vem sendo protagonista de suposta convocação para retirar, à força, os ministros do Supremo Tribunal Federal, no Dia da Independência da República, em setembro.
“Em relação ao Sérgio Reis, não participamos, nem eu e nem os comandantes. Eu desconhecia o fato até sair na imprensa. Não teve almoço nenhum”, disse Braga Netto.
O chefe da pasta negou a existência de um “poder moderador”, como dito pelo general Augusto Heleno, nesta segunda-feira (16/8), mas não descartou a fala sobre a “utilização do artigo 142”, mencionada pelo general. “Sobre o ‘poder moderador’, o país só tem Três Poderes. As Forças Armadas só trabalham em cima do que está previsto no artigo 142, sem especulações e sem ilações”, salientou Braga Netto.
A comissão foi marcada por desentendimentos sobre o uso da máscara contra a Covid-19. Parlamentares aliados à base bolsonarista se recusaram a utilizar o acessório de proteção. O presidente da comissão, deputado federal Elias Vaz (PSB-GO), interrompeu a sessão, por diversas vezes, para pedir que os parlamentares respeitassem a determinação.













