Bolsonaro sobe o tom: “Chegamos no limite, não tem mais conversa”

No discurso em apoio a ato anti-STF e Congresso e pró-intervenção militar, presidente diz pedir a Deus que não haja "problemas nesta semana"

atualizado 03/05/2020 15:58

Bolsonaro durante protesto em brasiliaHugo Barreto/Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) compareceu a uma manifestação neste domingo (3/5), na qual centenas de apoiadores se aglomeraram em frente ao Palácio do Planalto, defendendo o governo, mas também clamando por intervenção militar e bradando contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Em transmissão ao vivo da sede do Executivo federal, Bolsonaro subiu muito o tom e afirmou: “Chegamos no limite”.

“Queremos a independência verdadeira dos três poderes, e não apenas uma letra da Constituição, não queremos isso. Chega de interferência. Não vamos admitir mais interferência. Acabou a paciência. Vamos levar esse Brasil para frente. Acredito no povo brasileiro e nós todos acreditamos no Brasil”, discursou.

E emendou: “Peço a Deus que não tenhamos problemas nessa semana. Porque chegamos no limite, não tem mais conversa. Daqui para frente, não só exigiremos, faremos cumprir a Constituição”, sem esclarecer a quais problemas se referia e o que aconteceria a partir do fim “da conversa”.

“Tenho certeza de uma coisa: nós temos o povo ao nosso lado, nós temos as Forças Armadas ao lado do povo pela lei, pela ordem, pela democracia e pela liberdade. E o que é mais importante: temos Deus conosco. O Brasil tem tudo para dar certo e o Brasil vai dar certo”, afirmou o presidente em transmissão ao vivo da sede do Poder Executivo.

Segundo Bolsonaro, a manifestação foi espontânea e tinha como pauta a defesa de sua governabilidade e a não interferência por parte do Legislativo e do Judiciário. Manifestantes carregavam faixas contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e das duas casas legislativos, além de pedidos de intervenção militar.

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“A paciência acabou”

Bolsonaro chegou por volta das 12h ao Palácio do Planalto, acompanhado por escolta de segurança.

Sem máscara, o presidente da República se aproximou da grade que o separa dos manifestantes e acenou para quem estava no local. O chefe do Executivo avisou aos apoiadores que “não admitirá interferência no governo” e afirmou que “a paciência acabou”.

Desde que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem, amigo do presidente e dos filhos, para a direção da Polícia Federal (PF), Bolsonaro tem se queixado de supostas interferências de outros Poderes no Executivo.

Nos discursos, Bolsonaro tem ressaltado que os Poderes devem ser independentes. A nomeação foi suspensa justamente porque o ex-ministro Sergio Moro pediu demissão ao alegar, também, uma tentativa de interferência na PF. Nesse caso, no entanto, o denunciado foi o próprio presidente.

Governadores na mira

Ao subir a rampa do Planalto, ele voltou a criticar os governadores por causa das medidas de isolamento para combater o novo coronavírus.

“Preço [pelo isolamento] vai ser alto. Fome, desemprego, miséria”, lamentou Bolsonaro. “Muitos, infelizmente, serão infectados. O combate ao vírus não pode ser mais danoso do que o próprio vírus”, completou.

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Neste domingo, apoiadores defenderam a administração de Bolsonaro em carreata na Praça dos Três Poderes. A Secretaria de Segurança Pública do DF não divulga mais estimativas de público nesse tipo de evento, mas centenas de carros ocuparam cinco pistas do Eixo Monumental, entre a Rodoviária e a Praça da Bandeira.

O grupo levou faixas de protesto contra o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o STF. Outros defenderam intervenção militar com Bolsonaro no governo.

Manifestantes também criticaram o ex-ministro Sergio Moro e o chamaram de “traidor”. Nesse sábado (02/05), o ex-juiz da Lava Jato prestou depoimento em inquérito que investiga uma possível interferência de Bolsonaro na Polícia Federal.

Ao lado da filha caçula, Laura, o chefe do Executivo federal desceu para acenar de perto aos seguidores e permitiu que três deles saíssem do cerco para conversar pessoalmente com ele. Assim como fez quando foi para Cristalina (GO), nesse sábado, o presidente não usou máscara. Laura também estava sem o equipamento de proteção.

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