Bolsonaro: “Fazer politicagem com coronavírus é coisa de covarde”

Presidente fez novas críticas, em série de tuítes, a quem o ataca por sugerir o enfraquecimento do isolamento social em nome da economia

jair bolsonaro coletiva coronavírusrafaela felicciano/ metrópoles

atualizado 25/03/2020 23:59

Em série de postagens no Twitter, no meio da noite desta quarta-feira (25/03), o presidente Jair Bolsonaro misturou os dois grandes temas a que se dedicou desde a noite de terça (24/03): renovou a defesa do fim do isolamento social abrangente – a ser substituído por quarentena limitada a idosos e integrantes de grupos de risco – e manteve os ataques a quem critica essa posição de afrouxar as medidas de distanciamento contra a propagação do novo coronavírus.

Utilizou termos fortes, salientados pelo uso em caixa alta de várias palavras, como quando escreveu que “se aproveitar do medo das pessoas para fazer politicagem num momento como este é coisa de COVARDE!”. E completou: “A demagogia acelera o caos”.

Bolsonaro não apontou nenhuma proposta para enfrentar os problemas que levantou, mas voltou a falar dos “40 milhões de trabalhadores autônomos” que “já sentem as consequências de um Brasil parado” e das empresas que, sem produzir, não terão como pagar salários. “Chega de demagogia! [Em caixa alta] Não há saúde na miséria.”

O presidente sustenta que não quer “descaso com a questão da Covid-19”, apenas busca “a dose adequada para combater esse mal sem causar um ainda maior”. E finalizou: “Se todos colaborarem, poderemos cuidar e proteger os idosos e demais grupos de risco, manter os cuidados diários de prevenção e o país funcionando”.

A tese proposta por Bolsonaro é questionada por especialistas em saúde e por muitos economistas, que defendem a necessidade de colocar os cuidados para impedir a propagação acelerada do vírus como prioridade não apenas por questões de saúde mas por pragmatismo econômico mesmo. Nessa visão, além de o sofrimento humano poder ser agravado pelo relaxamento da quarentena, a economia do país (e os empresários e trabalhadores) também custaria muito mais para se recuperar e exigiria ainda mais endividamento público.

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