Bolsonaro diz ao Mercosul que “ressurgem” pressões inflacionárias
Cúpula do bloco se reúne nesta sexta-feira (17/12). Brasil deixa a presidência pro tempore, que passa ao Paraguai pelos próximos seis meses
atualizado
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O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse, nesta sexta-feira (17/12), na 59ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, que ressurgem pressões inflacionárias como consequência das restrições impostas no mundo todo para conter a disseminação da Covid-19.
“Ressurgem pressões inflacionárias como resultado das restrições internacionais e medidas restritivas internas decorrentes da pandemia e da escassez de oferta na economia mundial”, disse ele em seu discurso.
Segundo o presidente brasileiro, combater a inflação é tarefa que tem envolvido várias ferramentas de política econômica e que deve ser cumprida rapidamente. “Precisamos proteger a capacidade de consumo, especialmente dos setores de mais baixa renda, o mais afetado pela pandemia”, prosseguiu.
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em 0,95% em novembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O índice havia registrado alta de 1,25% em outubro. Apesar da desaceleração de um mês para o outro, esta foi a maior variação para um mês de novembro desde 2015 (quando foi de 1,01%).
Alta acumulada
O IPCA acumula alta de 9,26% no ano e de 10,74% nos últimos 12 meses, acima do registrado nos 12 meses imediatamente anteriores (10,67%). A inflação acumulada em um ano permanece mais do que o dobro do teto da meta fixada pelo governo para 2021 (5,25%).
Bolsonaro foi o primeiro chefe de Estado a discursar na cúpula, realizada por videoconferência. A participação do mandatário ocorreu da sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. Ele estava acompanhado pelo ministro das Relações Exteriores, Carlos França, e pelo Secretário de Assuntos Estratégicos do Palácio do Planalto, almirante Flavio Rocha.
Em julho deste ano, o Brasil assumiu a presidência pro tempore do bloco. A presidência anterior era exercida pela Argentina, por intermédio do mandatário Alberto Fernández, com quem Bolsonaro tem claras divergências. O cargo é exercido durante o período de seis meses, de forma alternada entre os quatro países membros. O próximo país a assumir a presidência será o Paraguai.
30 anos de Mercosul
O Mercosul completou 30 anos em 2021. O bloco é composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, além de Estados associados, entre eles Peru e Suriname.
Desde que o Tratado de Assunção foi assinado, o volume do comércio entre os países quintuplicou. O Mercosul é um dos seis maiores blocos econômicos do mundo.
Com as divergências entre Jair Bolsonaro e o peronista de centro-esquerda Alberto Fernández, especialistas analisam que o bloco ficou paralisado, pois depende da vontade política de seus governos devido à falta de instituições. Os chefes de governo não se encontraram pessoalmente nenhuma vez em dois anos.






