Bolsonaro: “Amazônia é úmida e não pega fogo” e Europa é “seita ambiental”

Presidente disse que nem tudo vai bem, mas que Brasil sofre acusações injustas e é alvo de "mentiras" a respeito do desmatamento no país

atualizado 16/07/2020 20:37

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta quinta-feira (16/7) que a Amazônia é “úmida” e “não pega fogo”. Segundo ele, “o que pega fogo é periferia”. A declaração foi dada durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais.

Em outubro do ano passado, Bolsonaro fez declaração semelhante durante um evento direcionado a investidores em Riad, capital da Arábia Saudita. “A Amazônia não está pegando fogo, até porque a floresta é úmida, não tem como pegar fogo. Me acusaram lá atrás de ser desmatador, depois de ser incendiário”, declarou o presidente na ocasião.

Antes, em setembro de 2019, o ex-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Ricardo Galvão disse o mesmo: “A Amazônia é uma floresta úmida, ela não queima sozinha, é sempre uma ação criminosa”.

Na transmissão desta quinta, Bolsonaro disse que o Brasil sofre “acusações injustas” no que diz respeito à forma como o governo lida com o meio ambiente.

O presidente reconheceu que nem tudo vai bem, mas alegou que a situação “não é essa celeuma toda, esse trauma todo que fazem contra o Brasil”.

“Somos o tempo todo acusados injustamente de maltratar o meio ambiente do Brasil. A imprensa lá fora criticando o Brasil, imprensa que fraudou números para criticar o governo, fica ameaçando o tempo todo; 90% desses focos de calor são em áreas desmatadas. Não é novo incêndio. E 5% são em terras indígenas, o índio que faz isso”, disse.

Bolsonaro afirmou que há uma “seita ambiental” europeia, cujo interesses são estimular uma “briga comercial” para prejudicar o agronegócio brasileiro.

“Brasil é potência no agronegócio. A Europa é uma seita ambiental, não preservaram nada e atiram em cima de nós o tempo todo de forma injusta, é uma briga comercial. Há interesse em todo o Brasil, somos bombardeados 24 horas por dia. Parte da mídia aproveita o momento para criticar o governo, como se anteriores estivesse uma maravilha a questão ambiental no Brasil”, declarou.

Aumento do desmatamento

Na última sexta-feira (10/7), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelou que o primeiro semestre deste ano foi o pior para o desmatamento na Amazônia em uma década.

Nesta quinta, o governo publicou um decreto que proíbe as queimadas em todo o país por 120 dias.

A proibição, no entanto, não se aplica às práticas de prevenção e combate de incêndios feitas ou supervisionadas pelas instituições públicas e agrícolas de subsistência praticadas por indígenas e povos tradicionais, atividades de pesquisa científica e controle fitossanitário.

Segundo o decreto, “ficam autorizadas as queimas controladas em áreas não localizadas na Amazônia Legal e no Pantanal, quando imprescindíveis à realização de práticas agrícolas, desde que autorizadas previamente pelo órgão ambiental estadual”.

A medida entra em vigor imediatamente. O decreto do governo foi editado em um momento de pressão interna e externa sofrido pela gestão de Bolsonaro sobre as políticas ambientais.

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