Após críticas a ministro do Meio Ambiente, Bolsonaro diz: “acertamos”

Comentário do presidente eleito foi em reação a entidades ambientais que não concordam com a indicação de Ricardo Sales para a pasta

Pedro Calado/Secretaria de Meio Ambiente de SP

atualizado 12/12/2018 21:16

 

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou nesta quarta-feira (12/12), que em sua gestão não haverá delimitação de áreas para a fixação de povos indígenas e afrodescendentes remanescentes de quilombos. “Não demarcaremos um centímetro quadrado a mais de terra indígena… Não tem mais terra para quilombola”, afirmou o político. “Já acabou esse tempo [no Brasil]”, declarou, durante reunião com parlamentares do DEM no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede da transição.

No encontro desta quarta, Bolsonaro defendeu ainda a extinção de decreto que permite descontos de até 60% nas multas ambientais e que transforma os 40% restantes em investimentos para recuperação de florestas.

“Nós respeitamos o meio ambiente, mas, pessoal, não dá mais para conviver com a indústria da multa. Tem decreto que destina 40% das multas para ONGs para preservar meio ambiente. O que vamos fazer com aquele decreto? Cair fora”, disse, dirigindo-se à futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que estava ao seu lado. “Não vamos deixar esse pessoal se retroalimentar constantemente trabalhando contra nós”, continuou Bolsonaro, que foi aplaudido.

Segundo o presidente eleito, Tereza Cristina seria também a ministra do Meio Ambiente quando ele cogitava fundir as pastas, mas acabou recuando após perceber que teria “problemas fora do Brasil”. “Demos um passo atrás. A gente namora, fica noivo e casa. Não namora e casa. Recuamos e veio o garoto Ricardo Salles. Quando vi entidades ambientais criticando ele, eu falei: ‘poxa, Onyx (Lorenzoni), acho que acertamos’”, contou, provocando risadas entre os presentes.

Indígenas e quilombolas
Ele lembrou a situação de Roraima, que enfrenta problemas por falta de energia elétrica e possui entraves para a licença de uma linha de transmissão por questões indigenistas. “O estado sem energia por problema ambiental indigenista. Indigenista vamos resolver com a Damares (Alves), continuou Bolsonaro, em outro momento, fazendo referência à futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, pasta que comandará a Fundação Nacional do Índio (Funai).

O presidente eleito lembrou ter sido multado por pesca irregular no Rio de Janeiro, no valor de R$ 10 mil, mas alegou que estava em Brasília na ocasião. Também disse que, no passado, era comum transportar galões de gasolina e derrubar no chão, mas “se um trator derrubar um litro de óleo diesel no chão é uma multa milionária em cima do fazendeiro. Não querem nem saber”, criticou. Ele disse ainda ser quase impossível derrubar uma árvore por causa de licenças ambientais atualmente e que isso deve mudar – para tanto, pediu apoio político à bancada federal do DEM.

Ao falar da questão indígena, Bolsonaro citou o caso de um empresário que quer iniciar uma obra no Paraná, mas depende de um laudo da Funai. “No Paraná, uma pessoa está querendo fazer um terminal de contêiner que agora necessita de um laudo da Funai. O cara veio me falar ‘estou há oito anos tentando construir e se tiver um vestígio de índio não vai sair’. Ele disse que foi processado pelo STF [Supremo Tribunal Federal]”, comentou.

“Não demarcaremos um centímetro quadrado a mais de terra indígena e ponto final. Questão dos quilombolas, meu amigo Helio (Bolsonaro) aqui, não tem mais terra para quilombolas também, já acabou esse tempo. Não posso acordar e ver que, via portaria, se iniciou demarcação de terras”, completou. A menção ao deputado eleito Helio Bolsonaro, que é negro, arrancou novas risadas dos aliados.

 

Bolsonaro fez um forte discurso a favor do agronegócio para pedir apoio político dos integrantes do Democratas, que caminha para engrossar a base política do presidente eleito no Congresso Nacional. O peesselista argumentou que “não tem força par impor nada”, mas que “todo mundo vai ganhar com isso [o DEM na base aliada], sem exceção”. “Se a gente der errado, o PT volta. Eles hibernam e esperam o momento para voltar das cinzas. Não quero eliminar o PT, quero colocar no seu devido lugar pelo voto”, acrescentou.

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