Após AGU divulgar trechos, Moro pede liberação da íntegra de vídeo

A defesa do ex-ministro reclamou de tratamento desigual na investigação e de que não tem acesso às imagens, como a AGU

atualizado 14/05/2020 20:58

Ex-ministro Sergio MoroRafaela Felicciano/Metrópoles

Em nota enviada na noite desta quinta-feira (14/05), a defesa do ex-ministro Sergio Moro disse ter sido surpreendida com a petição da Advocacia-Geral da União (AGU) que revelou a transcrição parcial do vídeo da reunião de ministros na qual o presidente teria dito que iria interferir na Polícia Federal. Os advogados de Moro reclamaram de tratamento desigual na investigação.

“Sergio Moro e seus advogados foram surpreendidos com a petição da AGU, em favor do presidente da República, no inquérito junto ao STF. A transcrição parcial revela disparidade de armas, pois demonstra que a AGU tem acesso ao vídeo, enquanto a defesa de Sérgio Moro não tem. A petição contém transcrições literais de trechos das declarações do Presidente, mas com omissão do contexto e de trechos relevantes para a adequada compreensão do que ocorreu na reunião –inclusive, na parte da “segurança do RJ”, do trecho imediatamente precedente. De todo modo, mesmo o trecho literal, comparado com fatos posteriores, como a demissão do diretor-geral da PF, a troca do superintendente da PF e a exoneração do ministro da Justiça, confirma que as referências diziam respeito à PF e não ao GSI. A transcrição parcial busca apenas reforçar a tese da defesa do presidente, mas reforça a necessidade urgente de liberação do vídeo na íntegra”, diz a nota assinada pelo advogado Rodrigo Rios.

Os trechos constam na petição apresentada pela AGU no Supremo Tribunal Federal (STF) para defender o sigilo da integralidade do vídeo da reunião ministerial com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). De acordo com a AGU, o chefe do Executivo confirmou que iria interferir na Polícia Federal, pois não era informado sobre nada do que acontecia na corporação.

A defesa de Moro pede a divulgação imediata do vídeo, na íntegra.

Após receber as gravações, o ministro Celso de Mello deu prazo de 48h para Moro, a AGU e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestarem sobre a possibilidade de divulgação integral do conteúdo. O ex-ministro foi o primeiro a se posicionar positivamente. Falta, ainda, o posicionamento da PGR.

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