Análise: Bolsonaro faz política externa infantil e temerária

Comportamento do presidente em relação a Greta e à Argentina expõe birras e equívocos na postura sobre assuntos internacionais

atualizado 11/12/2019 7:19

Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) faz o Brasil perder tempo com brigas inúteis na política externa. Esse é um padrão do atual governo.

Dois exemplos recentes mostram as consequências do desatino do chefe do Executivo em questões internacionais. Depois de sucessivas desfeitas com a Argentina, o capitão enviou o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, para a posse de Alberto Fernández na Casa Rosada.

A presença do general em Buenos Aires nessa terça-feira (10/12/2019) apenas comprovou o óbvio: as estreitas e pacíficas relações do Brasil com o país vizinho estão acima de supostas diferenças ideológicas. Desconsideremos, pois, o que Bolsonaro falou.

Também nessa terça-feira, o presidente desdenhou da ativista sueca Greta Thunberg, 16 anos. Perguntado por repórteres sobre a morte de dois indígenas no Maranhão, Bolsonaro fez ironia com a adolescente.

“Qual o nome daquela menina lá? De fora, lá? Greta. A Greta já falou que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. É impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessa aí”, declarou.

Se o Brasil não devastasse a Amazônia nem assassinasse indígenas, Bolsonaro não ouviria o que não gosta. Isso evitaria que ele se comportasse como um adolescente – ou uma criança – quando é confrontado sobre as mazelas do país.

Pelo que fala e faz, o capitão passa ao mundo a imagem de inimigo do meio ambiente e das minorias. Por isso, precisa dizer coisas como “somos contra o desmatamento ilegal, contra a queimada ilegal, tudo o que for contra a lei nós somos contra”, como fez nessa terça-feira.

Bolsonaro também agiu de forma temerária ao brigar – e depois recuar – com a China. Deu outro passo em falso quando tentou mudar – e não conseguiu – a Embaixada do Brasil em Tel Aviv para Jerusalém.

Os exemplos de destempero do presidente em questões internacionais se acumulam no primeiro mandato. Esses tropeços não seriam necessários se ele seguisse um conselho do sambista Paulinho da Viola: “As coisas estão no mundo, só é preciso aprender”.

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