Weintraub usa chocolates ao tentar explicar contingenciamento em live

Antes dos doces do ministro, pesquisadores falaram sobre uso de pele de tilápia para tratar queimaduras

Reprodução / Facebook Jair BolsonaroReprodução / Facebook Jair Bolsonaro

atualizado 09/05/2019 22:18

Convidado para participar da transmissão semanal via Facebook do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, cobriu parte da mesa com chocolates para tentar explicar a situação financeira da pasta que comanda e o consequente bloqueio das verbas das universidades públicas.

“Não está cortado. Deixa para comer depois de setembro”, disse, após partir um dos doces ao meio e se atrapalhar na apresentação dos números. Enquanto isso, Bolsonaro, ao lado do ministro, aproveitou a mesa cheia de chocolates para se servir.

O governo anunciou, no dia 30 de abril, um corte médio de 30% dos repasses às instituições de ensino federais. Após declarar que o corte atingiria a Universidade de Brasília (UnB) e as federais da Bahia (UFBA) e Fluminense (UFF), o Ministério da Educação (MEC) divulgou que o contingenciamento atingiria todas as universidades e os institutos federais do país. Sem os recursos, algumas instituições devem ficar sem condições de pagar contas e manter o funcionamento normal dos campi.

“Muita gente espalhando terror e falando coisas que não estão acontecendo”, iniciou Weintraub, que chegou na segunda parte da transmissão ao vivo. Na primeira, Bolsonaro recebeu pesquisadores e médicos envolvidos na pesquisa que utiliza pele de tilápia para tratar queimaduras.

Weintraub disse que o Brasil estava “afundando” economicamente antes de Bolsonaro. O ministro iniciou sua explicação comparando o orçamento da pasta ao de uma casa e disse ser necessário “segurar um pouco os gastos”, não apenas em seu ministério, mas em outras áreas do governo.

Com quatro caixas, totalizando 100 chocolates, Weintraub tentou explicar o corte dos recursos das universidades, que, em boa parte, segundo ele, têm orçamentos de R$ 1 bilhão. “Nesse momento, em que está todo mundo segurando, apertando o cinto, a gente não está mandando ninguém embora, todos os salários estão preservados”, afirmou.

Ele sustentou que o funcionamento dos refeitórios e das moradias estudantis “estão preservados” e explicou que os professores são funcionários públicos, portanto seus salários estão incluídos nas despesas obrigatórias da União.

O ministro separou 30 chocolates, associando-os ao corte de 30%. Em seguida, errou a conta, falando em três chocolates e meio. “Três chocolates e meio. A gente não está falando para a pessoa que a gente vai cortar. Não está cortado. Deixa para comer depois de setembro. É só isso que a gente está pedindo, para segurar um pouco”, destacou, associando o descontingenciamento à reforma da Previdência.

O presidente agradeceu a explicação ao ministro. “As universidades estão preservadas, não é esse terror todo”, completou.

Pele de tilápia
A live semanal de Bolsonaro começou com os pesquisadores e médicos Edmar Maciel, Marcelo Borges e Odorico Moraes. Ao lado do presidente, os especialistas explicaram o uso da pele de tilápia no tratamento de queimaduras, estudo desenvolvido na Universidade Federal do Ceará (UFC) e que, segundo eles, envolve seis estados e mais de 100 pessoas.

O grupo comemorou os bons resultados e a possibilidade de realizar este tipo de pesquisa na universidade. Os pesquisadores afirmaram que o estudo é financiado por uma empresa privada. Na tarde desta quinta (09/05/2019), o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Anderson Ribeiro Correia, afirmou que as bolsas já concedidas no Brasil e exterior serão mantidas. No entanto, Correia admitiu o bloqueio de 3.475 bolsas, que ele disse estarem hoje “ociosas”.

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