Ana Amélia quer votar reforma da previdência na próxima legislatura

Vice de Alckmin foi entrevistada pelo Metrópoles em parceria com Articulação de Carreiras Públicas para o Desenvolvimento Sustentável

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 26/09/2018 16:15

A senadora Ana Amélia (PP), candidata a vice-presidente da República na chapa do tucano Geraldo Alckmin, foi a terceira entrevistada nesta quarta-feira (26/9) em série de sabatinas com os vice-presidenciáveis nas eleições 2018. A iniciativa é uma parceria entre o Metrópoles e a Articulação de Carreiras Públicas para o Desenvolvimento Sustentável (Arca), e tem por objetivo contribuir para o eleitor ter o máximo de elementos a fim de melhor definir o seu voto no próximo dia 7 de outubro.

Durante o bate-papo, Ana Amélia defendeu a Reforma da Previdência, mas uma feita pelo novo Congresso, eleito em outubro e que assume em janeiro de 2019. Sobre a questão das minorias, ela afirmou não ser possível querer impor a vontade de grupos sobre a maioria da sociedade brasileira.

Veja a entrevista: 

Assim como Germano Rigotto, candidato a vice na chapa de Henrique Meirelles (MDB), a senadora defendeu a PEC do Teto dos Gastos públicos, que congelou investimentos em diversos setores pelos próximos 20 anos. “Foi um sinalizador, um freio na gastança dos governantes”, aponta. No entanto, ponderou que saúde e educação foram preservados de cortes e serão prioridades em um eventual governo tucano.

Reforma da Previdência
Segundo Ana Amélia, o Brasil não está isolado com a questão da previdência. No entanto, ela questiona a legitimidade do atual Congresso Nacional para aprovar uma medida tão complexa como a apresentada pela gestão de Michel Temer (MDB). Segundo a parlamentar, somente a próxima composição do Legislativo poderá aprovar a reforma. Nesse ponto, bate de frente com uma ideia de Temer, uma vez que o emedebista quer conversar com o próximo presidente sobre a possível votação ainda neste ano.

“Não é uma situação que diz respeito apenas ao Brasil. A velha Europa e a América Latina convivem com o mesmo dilema da crise da Previdência social. (…) Penso, no entanto, que essa reforma deve ser feita apenas pelo novo Congresso que vai sair das urnas eleito agora em outubro. Não pode se antecipar para votar.”

Minorias
Questionada sobre como um eventual governo tucano lidaria com minorias, a senadora destacou a diversidade da sociedade brasileira. “Temos que entender o Brasil em sua complexidade sociológica e antropológica. É preciso essa convivência. O governo de Geraldo Alckmin jamais será um governo de radicalização com qualquer tipo de movimento.”

A candidata
Senadora pelo Rio Grande do Sul, Ana Amélia, 73 anos, trabalhou durante quase toda a vida como jornalista, dedicada especialmente à cobertura do agronegócio. Ela compõe a bancada ruralista do Congresso Nacional e é vista como uma das principais representantes do setor.

A parlamentar se autointitula combatente da corrupção e pró-saúde da mulher. De postura mais conservadora, foi escolhida por Alckmin como uma tentativa de recuperar votos “roubados” pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) de setores mais tradicionais.

Ana Amélia foi uma ferrenha defensora do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016. A senadora coleciona episódios de conflitos com petistas. Em abril de 2018, a parlamentar trocou acusações com Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT e senadora pelo Paraná. O fato ocorreu após a petista gravar um vídeo para a emissora de TV Al-Jazeera, no qual pedia uma campanha pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com a palavra, os vices
Também nesta quarta (26), já foram entrevistados Germano Rigotto, vice de Henrique Meirelles (ambos do MDB); e Sônia Guajajara, companheira de chapa de Guilherme Boulos (PSol). Após Ana Amélia, será a vez de Eduardo Jorge, da chapa de Marina Silva (Rede).

Na sexta-feira (28), será a vez de Manuela D’Ávila, candidata a vice de Fernando Haddad (PT). No domingo (30), o Metrópoles sabatina Kátia Abreu, da chapa encabeçada por Ciro Gomes (PDT).

Parceira nessa série de entrevistas, a Arca reúne 12 instituições representativas dos servidores de carreiras da administração direta e indireta: ​Associação dos Funcionários do BNDES (Afbndes); Associação dos Funcionários do Ipea (Afipea); Associação Latino-Americana de Juízes do Trabalho (Aljt); Associação Nacional da Carreira de Desenvolvimento de Políticas Sociais (Andeps); Associação Nacional dos Servidores Ambientais (Ascema); Associação dos Servidores do CNPq (Ascon); Associação Nacional dos Servidores do MCTIC (Asct); Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN); Associação dos Servidores do Ministério da Cultura (AsMinc); Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Planejamento e Orçamento (Assecor); Indigenistas Associados (INA); e Associação Nacional dos Auditores e Técnicos Federais de Finanças e Controle (Unacon).

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