Ao Metrópoles, Rigotto defende privatizar “maior parte” das estatais

Ex-governador participou da sabatina com candidatos à vice-presidente promovida pelo portal e parceiros na tarde desta quarta (26/9)

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 26/09/2018 14:18

O ex-governador do Rio Grande do Sul Germano Rigotto (MDB), vice na chapa presidencial “puro-sangue” encabeçada por Henrique Meirelles (MDB), foi o primeiro participante desta quarta-feira (26/9) na série de sabatinas do Metrópoles em parceria com a Articulação de Carreiras Públicas para o Desenvolvimento Sustentável (Arca).

Na entrevista, Rigotto defendeu a PEC do Teto dos Gastos, a privatização da “maior parte” das estatais e um rigor maior na legislação para proteger minorias dentro da sociedade. Ele também elogiou a atuação de Meirelles à frente do Ministério da Fazenda.

Veja a entrevista:

Limite
O candidato a vice é a favor do Novo Regime Fiscal, estabelecido por meio da polêmica Emenda Constitucional nº 95 — a PEC do Teto dos Gastos –, que determinou limite ao crescimento das despesas primárias do governo federal, implicando na redução do investimento real per capita nos próximos 20 anos. A medida foi aprovada na gestão do emedebista Michel Temer.

“O Teto dos Gastos procurou sinalizar que ações de governo determinassem um controle maior. Mas é bom que se diga: dentro dessa limitação do gasto público, tirou fora educação e saúde. Existe a possibilidade de crescimento em investimentos nessas áreas.”

Ainda segundo o postulante na chapa encabeçada pelo MDB, adversários têm errado ao afirmar que pretendem acabar com a PEC. “Dizer que, simplesmente, ao assumir a Presidência vai extinguir essa limitação, eu acho um erro e uma sinalização muito grande de irresponsabilidade fiscal”, pontuou.

Privatizações
Rigotto defendeu a privatização “da maior parte” das estatais do país. No entanto, ele comentou que essa medida não incluiria, pelo menos no ponto de vista dele, empresas como Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Segundo ele, o Estado tem função de regulação do sistema financeiro. Assim, seria necessário o controle desses bancos e do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

Para o candidato a vice de Meirelles, o governo deve controlar os investimentos em três áreas que considera básicas: saúde, educação e segurança. “Pela situação de penúria, deve-se puxar a iniciativa privada para fazer os investimentos que o Estado não tem condições de fazer. Muitas vezes o enxergamos interferindo em áreas que não têm tanta importância como essas”.

Bolsa Família e minorias
Ainda na conversa com o Metrópoles, o gaúcho defendeu o fortalecimento de programas como o Bolsa Família e também um maior rigor na legislação sobre o direito das minorias. “Se a legislação

“Não tenho dúvidas que programas como esses devem ser mantidos e fortalecidos, com controles para evitar desvios. Mas nós temos que ter um Estado que efetivamente destrave o crescimento do país”, observou.

Sobre casos de racismo, homofobia e intolerância religiosa, o emedebista disse que a legislação deve ser fortalecida para casos não continuarem ocorrendo. “Se a legislação não impede que tenha racismo, que não tenha respeito às minorias, não tenho dúvida que ela tem que ser cada vez mais dura para punir aquele que, por ventura, venha desrespeitar [alguém]”, explicou.

Michael Melo/Metrópoles
Ao Metrópoles, Rigotto elogiou a atuação de Henrique Meirelles à frente do Ministério da Fazenda

Perfil
Germano Rigotto, 69 anos, é cirurgião-dentista e advogado. Foi eleito governador do Rio Grande do Sul em 2003. Tentou a reeleição em 2006, mas foi derrotado ainda no primeiro turno, numa disputa vencida pela tucana Yeda Crusius.

De perfil mais neoliberal, o ex-governador gaúcho é especialista em sistema tributário e foi presidente da Comissão de Reforma Tributária da Câmara.

Nos últimos anos fez críticas à equipe econômica do governo Temer por considerar não haver o desejo de se implementar uma reforma tributária estrutural. Para Rigotto, o sucesso de uma reforma tributária no Brasil depende do apoio do Poder Executivo federal e de um longo período de transição entre o modelo atual e o desejado.

Depois de Rigotto, ainda nesta quarta (26/9), serão entrevistados: Sônia Guajajara, candidata a vice de Guilherme Boulos (PSol); a senadora Ana Amélia (PP), postulante a vice na chapa encabeçada pelo tucano Geraldo Alckmin (PSDB); e Eduardo Jorge (PV), que disputa ao lado de Marina Silva (Rede).

Na sexta-feira (28), será a vez de Manuela D’Ávila (PCdoB), vice de Fernando Haddad (PT). No domingo (30), a entrevistada é Kátia Abreu, que concorre ao lado do presidenciável Ciro Gomes, ambos do PDT.

Hora de decidir o voto
Parceira nessa série de entrevistas, a Arca reúne 12 instituições representativas dos servidores de carreiras da administração direta e indireta: ​Associação dos Funcionários do BNDES (AFBNDES); Associação dos Funcionários do Ipea (Afipea); Associação Latino-Americana de Juízes do Trabalho (ALJT); Associação Nacional da Carreira de Desenvolvimento de Políticas Sociais (Andeps); Associação Nacional dos Servidores Ambientais (Ascema); Associação dos Servidores do CNPq (Ascon); Associação Nacional dos Servidores do MCTIC (ASCT); Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN); Associação dos Servidores do Ministério da Cultura (AsMinc); Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Planejamento e Orçamento (Assecor); Indigenistas Associados (INA); e Associação Nacional dos Auditores e Técnicos Federais de Finanças e Controle (Unacon).

Cada sabatina com os postulantes a vice-presidente terá meia hora de duração. E todas serão transmitidas, ao vivo, pelo portal e pelos canais do veículo nas redes sociais: Facebook, Twitter e YouTube. Também ficarão disponíveis no site após encerrada a transmissão em tempo real.

O Metrópoles e a Arca esperam, com a série de entrevistas, contribuir para que o eleitor tenha o máximo de elementos para melhor definir o seu voto no próximo dia 7 de outubro. Entre os temas a serem abordados com os vice-presidenciáveis estão o próprio financiamento do Estado e da infraestrutura necessária ao desenvolvimento do país, reforma da Previdência, gestão territorial, saúde, educação, reforma trabalhista, matriz energética e redução de desigualdades.

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