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A preocupação com o aumento do número de notícias falsas na internet, o crescimento dos ataques a dados bancários e a proximidade do cenário eleitoral provocou um debate acalorado na manhã desta quarta-feira (13/6) na Comissão de Educação do Senado Federal com especialistas em segurança digital e ciberataques (foto em destaque). Foi unânime entre os participantes a necessidade de uma educação para a tecnologia a fim de garantir a prevenção a esse tipo de crime.

Os brasileiros são a nacionalidade que mais acessa as redes sociais e por mais tempo. Segundo o IBGE – Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística – há 116 milhões de brasileiros conectados na internet. Desse total, 92 milhões de pessoas fazem transações bancárias diariamente.Nesse cenário, como proteger os cidadãos de ameaças virtuais? É possível assegurar aos internautas que seus dados sejam preservados? Como tornar uma sociedade mais preparada e consciente em relação aos crimes cibernéticos? Foram essas perguntas que os participantes da audiência tentaram responder.

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF), autor da audiência pública, manifestou preocupação com o aumento do número de fake news e a proximidade do processo eleitoral. Para o congressista, é necessário que a sociedade questione-se de forma crítica antes de sair compartilhando informações que, por vezes, tem apenas o objetivo de destruir reputações.

Diretor do Laboratório de Segurança da PSafe, empresa de aplicativos do setor, e especialista em ciberataque criminoso, Emilio Simoni esclareceu que existe um grande mercado de compartilhamento de informações pessoais e de dados bancários. “Há grupos muito bem organizados fazendo isso no Brasil, como o caso de um suposto áudio chamando para uma nova greve dos caminhoneiros” relembrou.

Desde 2016, quadrilhas especializadas em golpe pelo WhatsApp crescem no Brasil. Segundo Simoni, só neste ano houve 246 milhões de tentativa de ciberataques no Brasil, 30% maior que os 191 milhões registrados em 2017. “Golpes bancários que tentam roubar dados dos usuários, só no primeiro trimestre deste ano conseguimos bloquear 2,4 milhões de tentativa de ciberataques”, afirmou.

“O aumento de notícias falsas é algo prejudicial para a sociedade brasileira. Todos esses ciberataque têm uma estrutura em comum: o convencimento da vítima, o clique do usuário em links maliciosos e a infecção do perfil, que passa a ser propagador nos próprios grupos de whatsapp do conteúdo falso”, explicou Emílio.

“Observamos que 97% das pessoas repassam notícias falsas sem conferir o conteúdo”, disse Simoni. Na opinião do representante da empresa de aplicativos segurança, a conscientização e educação para a internet é importante para reverter esse cenário. Ele também defende leis atualizadas e ferramentas de proteção baseadas em inteligência artificial

De acordo com o presidente da SaferNet Brasil, Thiago Tavares, especialistas constataram que o aperfeiçoamento da educação é uma saída para mudar o cenário de desordem informacional que predomina na internet. Ele manifestou ainda preocupação quando alguns políticos, como forma de se defender de escândalos, atacam a própria imprensa buscando deslegitimá-la.

“Se alguém perguntar ao Donald Trump o que é fake news ele dirá que é tudo que o New York Times pública contra ele”. Tavares relembrou um caso recente aqui no Brasil, quando em janeiro deste ano o jornal Folha de S. Paulo noticiou o aumento patrimonial de Jair Bolsonaro após o ex-milico ter entrado para a política. Em resposta à notícia o parlamentar afirmou que tudo que a Folha publicasse contra ele seria fake news.

Para a delegada Cristhiane Andrade França, da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos da Polícia Civil do DF, pessoas com baixa instrução e curiosos com pouco conhecimento sobre tecnologia são os mais vulneráveis a ataques maliciosos em redes sociais, já que os criminosos acabam por explorar essa vulnerabilidade deles para a prática de crimes.

Canal para denúncia de violações
A Safernet criou o canal Hotline para captar denúncias anônimas de crimes e violações contra os Direitos Humanos na Internet. Segundo Thiago Tavares de 2006 até hoje houve 3.606.419 denúncias anônimas de páginas com conteúdo que violam direitos humanos no Brasil. “É um canal de suporte às vítimas que vivenciam alguma situação de risco ou crime na internet”, afirma.

 

 

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