Ramos sobre bolsonaristas que o ameaçaram de morte: “Milícia virtual”

Segundo o presidente da comissão da reforma, os ataques começaram depois de Carlos Bolsonaro reeditar um vídeo dele e postar na internet

Marcelo Camargo/Agência BrasilMarcelo Camargo/Agência Brasil

atualizado 26/06/2019 13:25

O presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PL-AM), contou que tem recebido ameaças de morte de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PSL). As mensagens, publicadas nas redes sociais, se estendem à esposa e aos filhos, que moram em Manaus. O parlamentar denunciou o caso à Polícia Legislativa nessa terça-feira (25/06/2019), mas não pediu acompanhamento de seguranças.

“Sou um cara simples, de hábitos simples. Isso é uma bazófia de pessoas que se escondem por trás de perfis falsos na internet”, disse. O deputado conta que as ameaças vieram por meio de um vídeo publicado no Instagram pelo vereador Carlos Bolsonaro, filho do meio do presidente da República. O material teria sido reeditado e é de uma entrevista que Ramos concedeu a um portal de notícias.

“O que mais lamento é que quem iniciou tudo isso foi um dos filhos do presidente. Isso é muito grave: replicar um vídeo editado de um deputado que é presidente da principal comissão do tema mais importante do governo”, comenta.

Segundo Ramos, Carlos Bolsonaro não tem controle do que os próprios seguidores falam. Contudo, “é óbvio que a mensagem de quem edita o vídeo é de quem diz que pode tudo”. E acrescenta: “E nesse pode tudo, essa milícia virtual dele se acha no direito de ameaçar as pessoas. Comigo não funciona. Vou continuar fazendo meu trabalho com a responsabilidade de proteger minha família”.

O presidente mostrou alguns dos prints das ameaças. “Um fdp desses tem que sentir a ira do povo sobre ele e sua família”, escreveu um internauta. “Daqui eu não erro o tiro na testa desse comuna-cara-lavada”, publicou outro.

O deputado Marcelo Ramos tem recebido elogios do colegiado pela condução dos trabalhos da Comissão Especial da reforma da Previdência. Deputados da oposição mantém um bom diálogo com ele, assim como os congressistas governistas. Entretanto, o fato de ditar o cronograma junto com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e defender a autonomia do Parlamento na tramitação da reforma tem incomodado Carlos Bolsonaro.

Na terça, o filho do presidente escreveu no Twitter que os “vagabundos do país se uniram contra o governo para tentar torná-lo inviável”. Segundo o vereador, isso força a existência da narrativa de um “governo autoritário”, assim como é divulgado “lá fora”, em referência às matérias da mídia estrangeira que abordam a gestão de Bolsonaro.  Em resposta, Ramos  disse que não dá para discutir com o político fluminense porque ele é “inimputável”.

 

 

 

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