Para defesa de Lula, novas mensagens expõem ilegalidade de Moro

PT também repudiou conduta do ex-juiz, dizendo que ele chefiou "organização criminosa contra a Democracia"

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 08/09/2019 17:28

Em nota divulgada neste domingo, os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontaram uma série de ilegalidades cometidas pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, quando ele era juiz da Lava Jato e que, na opinião da defesa, ficaram explícitas a partir da reportagem publicada pelo Jornal Folha de S.Paulo, em parceria com o site The Intercept Brasil.

De acordo com os advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska T. Zanin Martins, a reportagem expõe que o então juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato, em Curitiba esconderam do Supremo Tribunal Federal (STF) as conversas interceptadas de Lula que apontavam motivação diferente de Lula para ace3itar o cargo de ministro, oferecido por Dilma, que não a de fugir de uma condenação em 1º Instância por meio do foro privilegiado.

Os advogados entenderam que Moro e os procuradores sabiam das ilegalidades que estavam cometendo ao divulgar o áudio da conversa de Dilma com o ex-presidente e que a Lava Jato interceptou ilegalmente conversas do ex-presidente com seus advogados.

“A conversa mantida entre o advogado Cristiano Zanin Martins e o exPresidente Lula em 16/03/2016, gravada e ouvida ilicitamente pela Lava Jato, reforça que o ex-presidente Lula sequer tinha o objetivo de aceitar o cargo de Ministro de Estado e muito menos o de impedir qualquer investigação da Lava Jato”. diz o texto divulgado.

Na nota, os advogados dizem esperar que o STF julgue o habeas corpus já impetrado em favor de Lula baseado na suspeição de Moro, que decretou a prisão.

As novas mensagens secretas da Lava Jato divulgadas neste domingo (08/09/2019) mostram que o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, os procuradores da operação e investigadores da Polícia Federal planejaram o vazamento do grampo ilegal da conversa entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, quando o petista aceitou ser ministro da Casa Civil do governo dela, em 16 de março de 2016. Ao mesmo tempo, eles ignoraram outras mensagens interceptadas que permitem outro entendimento para a situação.

As conversas foram obtidas pelo site The Intercept Brasil e analisadas junto à Folha de São Paulo. Os diálogos mostram que procuradores e integrantes da PF tiveram acesso em tempo real às conversas de Lula e Dilma, que rapidamente eram compartilhadas em grupos do Telegram com análises internas. Os agentes da polícia continuaram ouvindo as conversas entre os ex-presidentes e relatando aos procuradores pelo aplicativo, ao passo que Moro já havia pedido a suspensão das escutas.

No mesmo dia, após Lula aceitar o convite, Moro divulgou o diálogo entre os petistas cinco horas após mandar interromper a escuta telefônica. À época, a gravação levou à anulação da posse de Lula, decidida pelo Supremo Tribunal Federal. Isso porque, para a Lava Jato, a nomeação do ex-presidente seria uma manobra para ele deixar de ser investigado pela Vara de Curitiba e passar para a Suprema Corte.

PT
Também o PT repudiou a conduta do ministro Sergio Moro e afirmou, por meio de nota, que o ex-juiz “chefiou uma organização criminosa contra a democracia”. “As novas revelações sobre as conversas secretas de Sérgio Moro com os procuradores e policiais federais da Lava Jato confirmam que ele comandou uma verdadeira organização criminosa para atacar o processo democrático no Brasil. Fizeram espionagem política dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, de ministros e ex-ministros, além de grampear ilegalmente as conversas de Lula com seus advogados”, diz a nota divulgada pelo partido.

Na nota, o partido defende a anulação dos processos da Lava Jato nos quais Lula foi condenado, diante a imparcialidade de Moro e dos procuradores que conduziram os casos. “As revelações deste domingo somam-se aos robustos argumentos apresentados pela defesa de Lula ao STF, mostrando que é inadiável reconhecer a parcialidade de Moro e dos procuradores, anular um processo viciado desde o início e garantir o direito de Lula a um julgamento justo”, diz a nota assinada pela presidente da legenda, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR).

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