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ONG de futura ministra é acusada de discriminar índios

Chefe da pasta de Direitos Humanos do próximo governo, Damares Alves será responsável pela condução da Fundação Nacional do Índio (Funai)

atualizado

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Valter Campanato/Agência Brasil
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1 de 1 vac_abr_0612188196 - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A decisão do presidente eleito Jair Bolsonaro de colocar a Fundação Nacional do Índio (Funai) no novo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, pasta que será comandada pela pastora e advogada Damares Alves, causou indignação entre servidores do órgão indigenista. Damares é vista no órgão como uma defensora da atuação religiosa e missionária em aldeias indígenas.

A futura ministra é fundadora do Movimento Atini – Voz Pela Vida, uma organização que se apresenta com a missão de “promover a conscientização e a sensibilização da sociedade sobre a questão do infanticídio de crianças indígenas”.

Em 2015, o Ministério Público Federal no Distrito Federal entrou com uma ação contra a Atini por “dano moral coletivo decorrente de suas manifestações de caráter discriminatório à comunidade indígena”, em função da divulgação de um filme sobre infanticídio indígena feito pela organização. Os procuradores pedem que a ONG seja condenada a pagar R$ 1 milhão.

Por meio de uma ação civil pública, o MPF exige que a ONG de Damares Alves seja proibida de veicular o vídeo documentário “Hakani – A história de uma sobrevivente”. O filme, segundo o MPF, tinha o objeto de “chamar atenção acerca do tema ‘infanticídio indígena’ e legitimar as ações missionárias no interior das comunidades indígenas”.

A ficção, segundo a ação do Ministério Público, foi produzida em parceria com a instituição Jocum (Jovens Com Uma Missão), nome adotado no Brasil pela organização evangélica de origem americana Youth With a Mission. Fundada em 1960, a organização iniciou as atividades missionárias no Brasil em meados da década de 1970, sendo que, atualmente, possui escritórios em quase todos os estados brasileiros.

Em sua argumentação, o MPF declarou que o filme “gerou profunda indignação na sociedade, gerando manifestações preconceituosas e discriminatórias em face das comunidades indígenas”. A veiculação do filme, justificou, bem como a exposição de imagens de crianças e adolescentes indígenas, “atinge a dignidade humana deste grupo perante a sociedade”.

Na ação, o MPF pediu ainda a imediata retirada do filme dos sites das ONGs e de todos os outros endereços eletrônicos de responsabilidade das instituições. Apesar disso, a reportagem verificou que ainda há links disponíveis na internet com acesso ao filme de 30 minutos.

A ação do Ministério Público, datada de 27 de abril de 2015, requeria ainda que as organizações religiosas se abstivessem de divulgar ou expor, por seminários, palestras, exposições ou congêneres, ou distribuir por qualquer meio, o conteúdo do vídeo, sob pena da imposição de multa de R$ 10 mil por dia de exposição.

Defesas 
Procuradas, as ONGs não se manifestaram até a conclusão desta matéria. A futura ministra também não foi localizada para falar sobre o assunto. O espaço está aberto para as manifestações.

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